Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

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31 de agosto de 2002

Lucicléia Feitosa Silva Costa

Proficiência em Leitura de Alunos Universitários Recém Egressos do 2º Grau

Orientação: José Carlos Gonçalves
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Esta pesquisa tem como perspectiva teórica a leitura como um ato psicossocial-lingüístico e destaca o seu caráter predominantemente interacional. Questiona lacunas na formação do professor na sua apropriação e domínio teóricos para um ensino coerente e eficaz desse objeto. Descreve o processo de leitura, mostrando como se dá o processamento cognitivo através do reconhecimento instantâneo; as estratégias conscientes e inconscientes realizadas pelo leitor para consecução de objetivos na leitura; e a dinâmica dos vários tipos de memória que atuam nesse processamento. A leitura é fundamentada enquanto um jogo psicolingüístico de adivinhação. Abordando alguns fatores envolvidos na compreensão de um texto, percebemos, nas análises realizadas, que a utilização do conhecimento prévio, que é um indicativo não só de proficiência na leitura como de estratégia interativa, foi, no entanto, superutilizado em uma das leituras em detrimento até mesmo da marcação formal. São destacados na Dissertação os componentes lingüísticos da estrutura formal, importantes para sugerir significados, embora insuficientes para sozinhos constituírem a compreensão. São sugestivos, e o leitor, interagindo com o texto, institui efetivamente significados. No corpus, a leitura se mostrou pouco interativa já que a atribuição de significados se deu de forma unilateral e sem apreensão das intenções argumentativas do autor. Observamos também, que foram empregadas, predominantemente, nas atividades de leitura propostas, estratégias apreendidas na escola, embora essas limitem o ato de ler que é entendido como um ato mecânico de extração de informações e não como processo crítico-reflexivo realizado pelo leitor em interação com o autor e com o texto. Uma outra análise nos revelou que a leitura também é entendida como construção predominantemente ascendente. Concluímos que a postura de leitura dos sujeitos dessa pesquisa é influenciada por práticas limitadoras ainda hoje predominantes no ensino de leitura ministrado nas escolas de nível fundamental e médio, e que, portanto, um redirecionamento em âmbito micro de aprofundamento dos aportes teóricos dos docentes para o ensino desse objeto é basilar e indispensável. Seguindo um movimento contínuo de professor pesquisador, teremos dado um primeiro e decisivo passo na longa trilha que temos a percorrer para a superação de deficiência e atingirmos quadros verdadeiramente satisfatórios na proficiência de leitura de nossos alunos.

» E-book disponível para acesso na Sala de Leitura César Leal - Centro de Artes e Comunicação - Campus UFPE

21 de dezembro de 2001

Roseanne Rocha Tavares

A Negociação da Imagem em Sala de Aula de Língua Inglesa

Orientação: José Carlos Gonçalves
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Este trabalho teve por objetivo analisar a negociação da imagem em sala de aula de língua inglesa. Partindo de uma visão de linguagem como atividade social, e com base nos pressupostos teóricos da Sociolingüística Interacional, da Análise da Conversação e da Lingüística Aplicada, realizou-se uma microanálise de aulas do ensino médio de uma escola Federal do Estado de Alagoas. O corpus para tal investigação foi estabelecido por meio de gravações em áudio e em vídeo com suas respectivas transcrições. A negociação da imagem foi observada com base em três tipos de discurso: o espontâneo, o de convívio, e o instrucional (Kramsch, 1987). Cinco tipos diferentes de estratégias foram estabelecidos. A principal estratégia nos mostra como o professor negocia a própria imagem e a de seus alunos, ao utilizar um discurso de convívio, principalmente em situações organizacionais, quando quer amenizar a imagem institucionalizada do poder. Além das estratégia, também analisaram-se as marcas discursivas usadas e pôde-se constatar que elas são de natureza diversa: há o humor, a informalidade, as palmas, o uso de palavras e expressões que indicam um sentido de coletividade, cada qual com sua específica estratégia de negociação e em um significado situado que considera o contexto no qual a interação ocorre. Em termos pedagógicos, a sala de aula se mostrou um contexto onde professor e alunos constroem uma cultura de ensinar e aprender; e mesmo que o enfoque do professor dado à tentativa de manter uma interação organizacional harmoniosa tenha sido maior do que o enfoque dado ao lado pedagógico, as estratégias de negociação da imagem ajudam nesse jogo de linguagem de regras e convenções.

» E-book disponível para acesso na Sala de Leitura César Leal - Centro de Artes e Comunicação - Campus UFPE