Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

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18 de janeiro de 2005

Luiz Carlos Rodrigues Monteiro

Musa Fragmentada: A Poética de Carlos Pena Filho

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Este trabalho destina-se à verificação e análise da ocorrência do lírico e do popular na poesia de Carlos Pena Filho. Estruturado em quatro capítulos, e com a feição de dissertação de mestrado, intenta proceder a investigação crítico-analítica de poemas do "livro geral", que reúne praticamente toda a produção do poeta. Os desdobramentos temáticos que envolvem aspectos sociais, urbanos e subjetivistas desse lirismo são analisados com algum detalhamento. por outro lado, são também tangenciados elementos de ordem mais geral que pessoal, e que configuram relações geracionais, atitudes e posicionamentos do poeta frente à vida e ao mundo. Observa-se que Carlos Pena, imbuído de aptidões incontestes para a poesia, escreveu seus poemas sob o signo de uma competência rara e intrínseca. Desempenho poético a que se soma uma consciência estética que o faria promover mudanças definidoras no eixo conteudístico e escolher novos caminhos com bastante acerto, sem renegar sua poesia de base, sustentada num lirismo assumidamente clássico. Com a sintaxe e o léxico manuseados linearmente, os resultados fonéticos alcançados demonstram que o seu estilo sofreu poucas mudanças no curto intervalo de tempo em que escreveu sua obra. Na identificação desse estilo, mesmo onde instala-se uma ruptura com as formas tradicionais, principalmente o soneto, não se torna difícil ao leitor familiarizado com sua poética reconhecer um substrato expressional comum aos poemas, ainda quando sua temáticas mudam radicalmente. Examina-se a multiplicidade diccional do autor em sua relação com os preceitos estéticos da geração de 45 e o ponto de inflexão onde essa dicção se individualiza, i.e., quando ele afasta-se do romantismo, do simbolismo e do classicismo iniciais e vai ao encontro das formas populares.

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31 de maio de 2004

Auríbio Farias Conceição

Somos Pedras que se Consomem em Angustia: a temática da inquietação no diálogo entre Graciliano Ramos e Raimundo Carrero

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: O presente trabalho se propõe a investigar, à luz da filosofia da existência, manifestações de angústia no diálogo de Graciliano Ramos e Raimundo Carrero, mais especificamente em suas respectivas obras Angústia e Somos Pedras que se Consomem, representativas, por excelência, da referida temática nos autores. As personagens conduzem a investigação que visa identificar como a angústia se inscreve nas narrativas. Dessa perspectiva são abordados o encolhimento, a liberdade existencial, a possibilidade de suicídio e a esperança, o incesto e a desmesura. Tais assuntos vão tecendo a inquietação, alvo de discussão de autores como Kierkegaard, Sartre, Gabriel Marcel, Erich Fromm, entre outros convocados para o diálogo com os autores. Daí se depreende que a angústia adâmica, que se manifesta como possibilidade de conhecer o bem e o mal, é análoga à que hoje se manifesta no indivíduo e na cultura, dentre outras formas, como impossibilidade de manter um "eu" coerente, diante de diferentes identidades. Ou seja, esses textos nos conduzem à compreensão de que a angústia é uma inerência à condição humana, uma vez que o homem só se torna homem através da consciência de si mesmo e essa consciência é em si angústia.

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Tâmara Maria Costa e Silva Nogueira de Abreu

Um Lobato Educador: Sob o Prisma da Fecundidade da Obra Infantil Lobatiana

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

A literatura infantil de Monteiro Lobato teve, desde os anos vinte, um papel fundamental na formação da criança brasileira: educar para a liberdade e para a autonomia. Esta pesquisa trata das relações entre a Literatura e a Educação; tem por finalidade mostrar como a amizade do escritor com dois educadores, Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo, somada ao contexto histórico da Primeira República (1889-1930) quando as palavras de ordem eram nacionalismo, entusiasmo pela educação e otimismo pedagógico influenciaram os seus textos a partir da década de trinta. Apóia-se em documentos originais como as cartas entre o escritor e os educadores, e também em dados biográficos que comprovam as relações inferidas. Feito o estudo da Filosofia da Educação de John Dewey, vê-se que seus desdobramentos no Brasil se refletem no pensamento de Anísio Teixeira, Monteiro Lobato e Paulo Freire, irmanados por uma concepção progressista e humanizadora da educação e da própria vida. A pedagogia de Paulo Freire se revela, de certa forma, uma continuação da filosofia de Anísio e, conseqüentemente, da literatura lobatiana. Os livros da série infantil da coleção Obras Completas de Monteiro Lobato foram analisados à luz dos preceitos escolanovistas e progressistas, buscando estabelecer os pontos de interseção entre a sua literatura e a educação praticada por Anísio e Freire.

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29 de agosto de 2003

José Genildo Cordeiro Santos

A Queda do Eu e o Gozo da Linguagem em A Paixão Segundo G.H.

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este estudo tem como objetivo, pelo viés da interdisciplinaridade, fazer uma leitura do conceito de sujeito na modernidade a partir do texto clariceano A Paixão Segundo G.H. Para tanto, trazemos o discurso psicanalítico como uma nova forma de pensar o homem e a dimensão da verdade propondo, assim, uma crítica literária em que a idéia do inconsciente subverte a concepção clássica do eu narrativo - não mais efeito de uma visão transcendental - mas efeito de linguagem e desejo. Propomos com essa consideração estabelecer um diálogo entre sujeito da escritura e sujeito do inconsciente formalizando, pois, uma teoria de conjunto que possibilite uma prática de leitura a partir do inconsciente.

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17 de março de 2003

Fábio Cavalcante de Andrade

Ordem Sinuosa: o Barroco em Avalovara

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Esta dissertação pretende responder ao desconhecimento que a obra de Osman Lins suscita. Um vazio carregado de significação. Avalovara, de 1973, é nosso objeto. Rastreamos os seus caracteres barrocos, demonstrando sua modernidade e sintonia com o presente a partir da idéia de barroco contemporâneo.

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Cristina Lucia de Almeida

Paginário: a imaginação crítica em Osman Lins e Ítalo Calvino

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Paginário nomeia um diverso olhar diante da página literária, a página imagem, lida não mais enquanto suporte do texto, e sim escritura. A imaginação crítica: projeto estético de Osman Lins e Ítalo Calvino fundamentado em valores da modernidade literária que unem, pela linguagem poética, o discurso romanesco ao discurso crítico. Nos romances e ensaios, os autores criam estratégias de ficcionalização e expõem com rigor e paixão uma defesa da especificidade da Literatura. O trabalho está teoricamente argumentado com bases na releitura do conceito de imaginação restituindo o caráter crítico e seletivo do imaginário. Os romances A Rainha dos Cárceres da Grécia e Se um Viajante numa Noite de Inverno são glosas de si mesmos: apresentam com ironia o fracasso das Teorias de interpretação frente a amplidão do literário. Livro, autor e leitor, personagens romanescos, são agora responsáveis pela construção das novas realidades textuais. O fanal: despertar o leitor da dormência mental provocada por alguns textos de fácil penetração e deslizamento, superfícies não porosas que são, sem obstáculos e labirintos.

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31 de agosto de 2002

Afonso Henrique Novaes Menezes

O Ser e o Silêncio: a trajetória poética do ser na obra de Orides Fontela

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho tem como objetivo fazer uma análise dos poemas de Orides Fontela a fim de destacar de sua obra a necessária ocultação do sujeito em favor da consciência pura como mediadora possível dos entes aclarados pela palavra poética para se chegar ao Ser como essência de tudo o que essa consciência percebe no universo da poesia. Para demonstrar esta idéia, optei pela leitura de poemas referentes a fases e obras distintas, o que enfatiza o compromisso da referida poeta em desnudar o Ser em uma obra cujo universo é erguido em seu favor. Deste modo, desejo mostrar neste trabalho que o Ser se aclara nos poemas de Orides Fontela em três aspectos: a imagem cristalizada na palavra; o espaço poético como lugar de morada do Ser e o silêncio como modo de expressão ontológica. Como base teórica, utilizei as idéias de pensadores da literatura, poetas e filósofos, especialmente o fenomenólogo Gaston Bachelard e Heidegger, uma vez que os poemas analisados possuem estreita relação com as idéias de ambos. Isto faz com que tal trabalho transite nos terrenos da filosofia, mas sem perder sua origem literária, pois que tanto um quanto outro filósofo vêem no discurso poético saídas possíveis para suas reflexões.

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30 de agosto de 2002

Robson Teles Gomes

Da Estética da Recepção ao Imaginário: as multifaces da poesia de Olavo Bilac

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: A dissertação da Estética da recepção ao imaginário: as multifaces da poesia de Olavo Bilac tem o objetivo de buscar possibilidades de leitura na produção poética bilaquiana, investigando a relação estabelecida entre autor, obra e receptor, de acordo com a orientação teórica de Hans Robert Jauss, bem como observar o imaginário do poeta, a partir dos estudos de Gilbert Durand, Jean Burgos, Gaston Bachelard, Chevalier & Gheerbrant. Tal dissertação pretende evidenciar cumplicidades vivenciadas entre leitor e imagem, além de, principalmente, demonstrar as outridades presentes na poesia de Olavo Bilac, ao identificar aspectos sensuais, sociais, políticos, ideológicos, fonológicos e lingüísticos em poemas assumidamente pouco parnasianos. Para tanto, é necessária uma revisita à obra desse poeta que caçava esmeraldas, fazia as palavras brilharem como vidas e os amantes ouvirem estrelas.

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22 de agosto de 2002

Francisco Ferreira de Mesquita Filho

Poesia Infantil: os (des) limites da criação e da recepção literárias

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Esta dissertação visa questionar os (des)limites da poesia “infantil”: suas diferenças e semelhanças em relação à poesia em geral. Para tanto, partimos de questionamentos sobre os modos de criação e de recepção desse tipo específico de poesia, buscando suas principais características, sua história e seu campo literário. Por uma questão didática, enfatizamos a poética de José Paulo Paes no intuito de comprovarmos algumas opiniões/reflexões. Além disso, analisamos diversos poemas, que servem de apoio às nossas teses; e ampliamos a discussão com comparações a outros poemas - tidos como não-infantis. No decorrer de nosso texto, exploramos potencialmente a obra poética em contato com o leitor-infante.

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21 de agosto de 2002

José Bezerra de Lemos

A Poesia de Ascenso Ferreira: uma visão nordestina

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho consiste na análise crítica de alguns aspectos da poesia moderna de Ascenso Ferreira. No primeiro capítulo é abordada a composição mais extensa de toda produção poética do autor (Oropa, França e Bahia): uma visão crítica deste texto é trabalhada através da sócio-crítica, ao mesmo tempo que se observa o dialogismo existente comparado a Bandeira, que por sua vez é aproximado a Shakespeare. No segundo, tendo como epigrafe - o Trem de Alagoas - procuro demonstrar a influência negra na poesia ascensiana, comparando-a à poesia também negra, de Jorge de Lima, onde cito Mário de Andrade, Bandeira e Câmara Cascudo. No terceiro momento do trabalho, de uma maneira mais aprofundada, intertextualizo Ascenso e Jorge de Lima, onde tento aproximar os recursos poéticos dos dois poetas, com exceção do ritmo que Ascenso impõe aos seus poemas.

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16 de junho de 2002

Marcos Alexandre de Morais Cunha

A Poesia dos Acordes: poética é identidade cultural na Música Popular Brasileira

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Empreendemos, neste texto, um estudo convergente entre dois literatos, pensadores da identidade Cultural Brasileira, em momentos distintos: Lima Barreto (1881-1922) e Caetano Veloso (1942), que em suas obras – respectivamente, Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911) e Velo (1984) -, apresentam a poesia inserida na música popular como a mais legítima manifestação da arte nacional. O texto perpassa a antiga e fecunda relação entre a literatura e a música como a poesia medieval portuguesa em sua arte trovadoresca e a modinha brasileira com seu fiel acompanhante: o violão, indo de encontro à contemporaneidade na música popular brasileira, com aquele que consideramos o mais criativo e literário dos nossos compositores, o campeão da canção, Caetano Veloso. A pesquisa nos proporciona uma visitação ao campo literário e a temas como mundialização cultural, criação, originalidade e recepção, bem como o que é o cerne de nossa tese: o valor estético-literário das letras, poesia, de nossa profusa música popular.

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28 de maio de 2002

Solange Santana Guimarães Morais

João do Vale: poesia popular e identidade

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho é uma análise da obra do compositor maranhense João do Vale que evidencia sua história de vida e sua importância na identificação do Nordeste. Mostra-se a relevância do compositor na história da MP nordestina, a riqueza de imagens encontradas na sua música que possibilitam uma reflexão acerca dos problemas sociais, econômicos e culturais vividos pelo nordestino. Na leitura dos seus versos verificam-se as cenas, os lugares que permitem o indivíduo a reconhecer e vivificar sua história. Aqui, sua obra é estudada a partir de temas considerados universais como a “saudade” e o “amor” que fazem o indivíduo retornar a tempos que outrora lhe foram caros e que agora podem ser recordados sob o olhar saudoso e amoroso do poeta maranhense. A importância da sua obra é confrontada com a de outros autores que consagraram essa temática como aproximação entre momentos que hoje são presentes com aqueles guardados com carinho nas lembranças, moldando de alguma forma o perfil do escritor. Em seguida a pesquisa será premiada ao se mostrar como ritmo, melodia, letras, etc. possibilitam a construção de uma identidade nordestina. Coloca-se que esses elementos retratam o modo de ser, de falar das pessoas que dão a cor ao lugar, ao espaço configurado como Nordeste. Mostra-se que a linguagem é desprovida de rebuscamento, mas que traz consentimentos necessários aos que constituem aquele local. Na caminhada pelos poemas valeanos, leva-se ainda em consideração seu aspecto literário e musical, o público, as considerações históricas em que foram produzidos e difundidos, procurando-se fazer uma abordagem sobre identidade e sua relevância na cultura de um povo. Ao final, mostra-se como a cultura popular, representada pela poesia de João do Vale, constituí-se como um fator que possibilita uma tomada de consciência dos nordestinos, ao conceberem a história do Nordeste a partir da perspectiva de mudanças sociais e culturais. Com essa postura o indivíduo transforma-se no mentor de uma nova postura em relação ao que é regional.

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28 de fevereiro de 2002

Carlos Newton de Souza Lima Júnior

Vida de Quaderna e Simão

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Tese-armonial de louvor e sagração, na qual se narra o misterioso aparecimento de D. Quixote em pleno Nordeste do Brasil, no Sertão seco, alto, áspero e pedregoso dos Cariris Velhos da Paraíba do Norte. As pelejas do Cavaleiro andante em defesa da Cultura brasileira! Os moinhos de vento do colonialismo cultural e a Demanda novelosa do nacional e do popular! Como a Vida imita a Arte, através da Cavalgada à Pedra do Reino e do Romance de D. Sebastião, o Encoberto! Sensacionais incursões pelo império tirano da Beleza! Arte como missão, e libertação! Intrigas, presepadas, aventuras e embates literários, no Sertão e no Litoral! Visagens proféticas, astrosas e agoureiras! Enigma, ódio, calúnia, amor, verdade e redenção!

Ave Musa incandescente,
Dai-me a vossa proteção!
Cantarei, aqui, a vida
De Quaderna e de Simão
A rocha-viva da Raça,
Forjada em ouro sem jaça,
Coroa, cetro e brasão!

Que seja rouco o meu Canto
rimado ao Sol da graúna,
no doidespero do Tempo
desde a furna da Pavuna:
lançai luz sobre o Segredo,
que alguns chamam Cervonegro,
e outros dizem Suassuna!

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17 de dezembro de 2001

Avanilda Torres da Silva

Entre Óculos e Espelhos: as gradações do olhar (uma leitura da obra de Jorge Miguel Marinho)

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: O mitologismo se impõe modernamente em decorrência do enfraquecimento da forma clássica de narrar, do desaparecimento do realismo tradicional. A antiga certeza que norteava o narrador fica comprometida. É vasto o caminho percorrido pelo mito, pois nele se cruzam os elementos do maravilhoso e do fantástico, com todos os seus motivos e diversidades. A faculdade privilegiada de visão de Jorge Miguel Marinho, que não apenas destaca a linearidade, a razão, tem na paródia e no maravilhoso o cenário ideal para uma aplicação sensível. Ao criar um espaço crítico e livre de convenções sociais, permitindo aos personagens posturas e atitudes inesperadas, penetra o território do fantástico. Neste, a vida é posta à prova, e o insólito, o surreal, aos poucos se configuram como verossímeis. Por meio desse espelho invertido, o leitor é intimado a se colocar e a refletir sobre esta feição do mundo.

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29 de junho de 2001

Gilvano Vasconcelos Neves Pereira

Cavatina do Delírio: amor e morte na poesia de Castro Alves

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Nesta dissertação analisaremos a obra lírico-amorosa de Castro Alves, como ponto central de nossa investigação o conceito de delírio. Apoiando-nos na teoria psicanalítica kleiniana, abordaremos primeiramente a obra amorosa do poeta, na qual salientaremos sua expressão amorosa, tão dependente do delírio poético como elemento que impulsiona o fazer poético. Em seguida abordaremos a expansão e o retraimento dessa enunciação desejante e a tensão que resulta, sendo traduzida na objetividade da expressão amorosa e na tematização da perda e, posteriormente, da morte. Finalizamos com uma leitura das principais imagens da poesia alvesiana.

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17 de janeiro de 2001

Saulo Cunha de Serpa Brandão

Aprendendo a Ler o Mundo com Thomas R. Pynchon

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Neste trabalho, proponho um modelo de representação para ser utilizado por críticos que defrontem com textos ficcionais em que a ciência participou da ontogênese ficcional. A apresentação crítica passa pela análise comportamental dos personagens em comparação com a atuação de modelos científicos propostos por cientistas ou filósofos da ciência. Tomo como texto padrão e exemplar para esse tipo de abordagem o romance “Vineland”de Thomas Pynchon, mas existe uma comunidade de ficcionistas que poduzem(ziram) textos que aceitam plenamente o mesmo tipo de olhar, dentre eles destaco: John Barth, Gore Vidal, Frost e César Leal. Para chegar a essa proposta tive que trabalhar termos tradicionais da Teoria da Literatura, como: mimesis e realidade. Para chegar a propostas operacionais destes termos que se ajustassem ao meu trabalho eles passaram por uma reelaboração através do conceito de “comunidade interpretativa” cunhado por Stanley Fish. Destaco, ainda, a adoção dos conceitos de símbolo e metáfora propostos por Martin Foss. Essa estratégia me permitiu propor uma interação entre poetas e cientistas que acontece na fonte primária de nossa perspectiva, uma colaboração para o melhor entendimento do que Thoma Khun chamava de “virada epistemológica”.

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30 de novembro de 2000

Janilto Rodrigues de Andrade

Da Beleza à Poética

Orientação: Luzilá Gonçalves Ferreira e Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Na expressão "da beleza à poética", inscreve-se a idéia de partida e de chegada. Partida: estética - perceber com os sentidos -, porque a beleza limita com o sensorial. Aqui, "da beleza" equivale a "da estética". Chegada: teoria - ação de observar -, porque a poética, como corpus teórico sobre a poesia, requer um tomar-parte no ente artístico. Mover-se nessa circularidade - do sentir ao observar e vice-versa - implica navegar rente à margem contrária à das restrições tradicionalmente impostas à subjetividade pela azáfama cientificista. Travessia possível, uma vez que o sujeitovem imiscuindo-se em todas as veredas do pensamento pós-moderno. Assim, postas algumas questões na introdução, passamos a caminhar nos entremeios daleitura esubjetividade. Fundamental pisar esse chão, porque, revelando-se o sujeito, elegemos a liberdade como condição (e princípio!) que permite ao leitor ser introduzido na província da beleza. Somente o sedutor – que nos arranca um como é bem feito! - incita-nos a experenciar a aventura do fascínio à interpretação. Para tanto, põe-se, (n)à poética, as razões que levam o leitor a, seduzido, considerar um texto belo. Dizemos razões, porque, pisando trilha kantiana, não cabe a conceituação sobre o belo; não há, assim, lugar para causas. Observadas as razões, hauridas na hermenêutica de Alfonso Lopez Quintas, de inspiração heideggeriana, tomamos o outro pólo do saber estético - texto e objetividade - configurando-se a pergunta, segundo nos parece, pertinente: como se inscreve, no conhecimento, o objeto artístico? Definida uma resposta, pomos à prova, em “Na prática, as razões são as mesmas”, os pressupostos teóricos - na análise de alguns textos, optamos por objetos de linguagens distintas, tendo em vista as interações que hoje se observam, entre as semioses artísticas e entre as reflexões sobre elas e entre estas e aquelas. A conclusão do nosso trabalho aponta para um mundo que se abre, vivo e dinâmico.

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13 de outubro de 2000

Alcides Mendes da Silva Júnior

Espaço e Discurso: a construção do Nordeste na literatura regionalista

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: O espaço é construção humana além de uma paisagem organizada com determinado fim. É o conjunto de valores e técnicas estabelecido socialmente. Um emaranhado simbólico que dispõe homens e objetos em relações constantes de evolução e troca. O espaço é portanto, a própria sociedade em sua dinâmica e estrutura. A forma e o conteúdo em permanente reconstrução. O interesse ora pretendido recai sobre a condição utilitária do discurso como articulação hegemônica de manutenção do status quo, em detrimento de realidades periféricas mantidas como tais pela mão inequívoca e condicionante deste mesmo aparato discursivo. O discurso regionalista é uma das vertentes construídas com este intuito de manipulação. Verifica-se praticamente em todas as áreas do conhecimento diferenciado que se produziu e se produz sobre a região Nordeste. O foco deste trabalho é a literatura regionalista. Mais precisamente três romances, considerados grandes obras representativas do regionalismo na literatura: Fogo Morto (José Lins do Rego), Terras do Sem Fim (Jorge Amado) e São Bernardo (Graciliano Ramos); o que se verifica nelas, como tentativas isoladas de libertação do discurso regionalista; e como essas obras, de uma certa forma, refazem (enquanto tentam desfazer) a mesma teia que pretendem destruir.

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29 de agosto de 1997

Alípio Carvalho Neto

O Homem e sua Hora: Mário Faustino, poeta alegórico

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho propõe uma leitura de restituição, à modernidade, da obra de Mário Faustino, mais especificamente, O Homem e Sua Hora, apesar do cotejo de toda sua publicação já realizada. As teorias da alegoria, vinculadas ao estudo da modernidade (e "pós-modernidade"), elaboradas pelo escritor alemão Walter Benjamin, associadas ao acervo crítico, neobarroco, de autores, sobretudo, latino-americanos, formam as bases da leitura da poética faustiniana. Busca-se, portanto, um recondicionamento da fortuna crítica em torno de Mário Faustino, como autor de destaque em sua contemporaneidade.

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