Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

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2 de setembro de 2005

Inara Ribeiro Gomes

A Estrutura Genética de Avalovara

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Este resumo procura definir uma teoria da ficção inclusa no romance “Avalovara”, de Osmar Lins. Preliminarmente, aborda-se a obra nas suas relações com: a) a segunda fase da literatura ficcional do autor, conforme a divisão estabelecida pela crítica; b) o contexto da literatura contemporânea; c) os gêneros e convenções literárias; d) a reflexões teóricas e críticas do autor. A análise principia pela descrição dos princípios de composição e da linha temática da narrativa. No passo seguinte, onde se concentra a tese central deste estudo, examina-se o procedimento alegórico de elaboração de uma teoria do signo poético. No relato da formação do escritor, a aprendizagem em três etapas sucessivas corresponde à investigação teórica do espaço, do tempo e da linguagem. É possível identificar uma travessia pelo signo, na medida em que cada um desses três elementos da narrativa está associado a cada um dos componentes do signo lingüístico (significante, referente, significado, respectivamente). A perseguição à Palavra tem na metáfora o instrumento básico de sondagem e descoberta. A análise, assim, procura descrever a dinâmica tensional da operação metafórica na gênese das figuras simbólicas. A metáfora final realiza uma unificação tensa dos opostos – ordem e desordem, geometria e desequilíbrio, razão e mito, tempo e eternidade, texto e mundo, palavra e coisa –, mas não totaliza a obra: o mundo transcende a forma do artista.

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1 de junho de 2004

Flávia de Andrade Lima

A Adolescência Escrita em Marcel Proust , Clarice Lispector e Anne Hébert

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Vivemos, já há algumas décadas, o reconhecimento da adolescência como a idade onde acontecem as maiores mudanças da personalidade e a definição de boa parte dos traços característicos da identidade de cada um. Porém, aliado a esta consciência da importância da adolescência, cultuamos a certeza de ser a fase de maiores dilemas na vida do ser humano. Então, rotulamos nossos jovens de "aborrecentes" e imaginamos esta fase como a única barreira a se transposta por eles e pelos pais, como se somente na puberdade surgissem problemas existenciais. Muitas vezes esquecemos que uma infância mal vivida ou problemática é anúncio de uma juventude pervertida, e, sucessivamente, uma juventude mal resolvida compromete a maturidade. Enxergamos nos adolescentes muito mais os pontos negativos, chegando a ser comum, quando os adolescentes fogem ao padrão, falarmos com surpresa, e até com certa ironia, que "nem parecem estar naquela idade!" Diante dessa "marginalização" dos adolescentes na vida real, resolvemos refletir como é descrita esta fase na ficção. Seriam os jovens personagens da ficção também vítimas dos rótulos de que são taxados os personagens reais? Quais os valores que sustentam a personalidade desses personagens? Neste trabalho nos propomos a encontrar os valores que permeiam esses personagens. Primeiro, analisaremos teoricamente como os valores podem ser inseridos numa obra literária. Depois, traçaremos um perfil psicológico de três figuras adolescentes femininas (pois, acreditamos que a adolescência feminina e a masculina têm diferenças marcantes), em três autores: Marcel Proust, Clarice Lispector e Anne Hébert. E, por fim, concluirmos traçando um paralelo entre os personagens ficcionais e os reais no que se refere aos valores que projetam a imagem da adolescência nos seus universos respectivos. Acreditamos que a literatura influencia o leitor, privilegiamos uma reflexão pessoal sobre a possível poeticidade de uma idade tão conturbada, que a todos assusta. Desfazendo o mito de que tudo na adolescência é problemático, buscaremos a raiz das reações dos jovens no processo de passagem, onde as perdas e os ganhos modelam a personalidade do futuro adulto.

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26 de maio de 2004

Manuel Romário Saldanha Neto

Caos e Pós-Modernidade na Cultura Pernambucana: a estética do Mangue

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Buscando explicitar as bases econômicas, sociais e políticas do que veio a denominar-se “movimento mangue”, a presente monografia caminhou no sentido de fazer um estudo interdisciplinar, concretizando-se ao final numa pesquisa plástica. Com vistas a mostrar os liames profundos que unem o universo do fazer artístico às relações da sociedade pernambucana, deu-se ênfase ao período que vai de 1990 à 2000. Nesta perspectiva, explicitamos, ao longo do texto, certas referências simbólicas arquetípicas de “homem, natureza e cultura” do universo imaginário nordestino, tais como, “resistência, fome, seca e pobreza”, que permeiam profundamente o discurso da cultura Mangue, marcado pela fusão do imaginário do sertão com o imaginário do litoral pernambucano. A partir de autores, tais como: Euclides da Cunha, Gilberto Freyre e Josué de Castro, objetivamos melhor estudar e compreender o referido movimento cultural. Além de buscar compreender criticamente o processo de pós-modernização da sociedade pernambucana, buscamos mostrar, principalmente através de dados estatísticos e recortes jornalísticos, a emergência do referido movimento, enquanto representação e identidade da cidade do Recife. Por fim, buscamos traçar um quadro comparativo entre o presente movimento cultural e a questão do avanço da cidadania, buscando desta forma explicitar as linhas emancipatórias ou conservadoras presentes na cena social da cidade do Recife e do Estado de Pernambuco. Ao analisar o que veio a configurar-se como “Movimento Mangue”, encontramos em sua gênese pensadores, tais como Euclides da Cunha (1866-1909), que em sua obra Os Sertões descreve a base natural e cultural sobre a qual repousa a representação do homem nordestino, principalmente do interior. Nos capítulos que compõem a referida obra, encontramos a dialética entre o sul do Brasil “moderno” e o nordeste “arcaico” nas figuras emblemáticas de uma luta entre o sul republicano, industrial e positivista e o nordeste agrário, arcaico e messiânico. A nível da esfera mais íntima desta dialética, encontramos a figura dos políticos/coronéis/jagunços e latifúndios x a figura do povo desapropriado, místico e violento. Por fim, conectando o nível da hermenêutica histórica, buscou-se explicitar a complexidade das mudanças sociais, políticas e econômicas pelas quais tem passado o Estado de Pernambuco, com o seu atual momento simbólico-cultural, tentando apresentar, de uma forma mais abrangente, a sociedade pernambucana.

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6 de abril de 2004

Fernanda Maria Abreu Coutinho

Imagens da Infância em Graciliano Ramos e Antoine de Saint-Exupéry

Orientação: Sébastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

O presente trabalho prende-se a uma linha comparatista, tomando como ponto de partida o rendimento hermenêutico da noção de tema. Visa-se, com isso, estudar as imagens da infância em Graciliano Ramos e em Antoine de Saint-Exupéry. A pesquisa buscou, de início, esboçar a construção da infância como categoria histórica, partindo, em seguida, para a apreensão da figura da criança na História da Literatura, particularmente nos sistemas literários francês e brasileiro, em momentos anteriores à presença dos dois autores contemplados nesta tese. Procurando-se um nexo de significação entre realidades culturais distintas, foi efetuado um recorte das referidas imagens em “São Bernardo”, “Angústia”, “Vidas secas”, “Infância”, “Insônia” e “Alexandre e outros heróis”, de Graciliano Ramos, e em “Terra dos homens”, “O pequeno Príncipe” e “Piloto de guerra”, além de alguns registros epistolográficos, de Antoine de Saint-Exupéry. Apesar da diferença de pensamento dos dois escritores quanto a um modelo de percepção do real, uma vez que o negativismo de Graciliano Ramos, frente à existência, afasta-se do idealismo exuperiano, o tratamento da infância termina por aproximá-los na medida em que, do texto de ambos, ressalta a importância desta fase da vida: ao mesmo tempo, imagem fonte e farol, com relação às outras etapas a serem vividas pelo homem.

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11 de agosto de 2003

Kátia de França Monteiro Vasconcelos

Utopia das Transculturas: Maira e Ashini

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho tem por finalidade a análise comparativa da figura do ameríndio, dentro de um processo de formação de identidade multicultural, nos romances Maíra, do brasileiro Darcy Ribeiro e Ashini, do quebequense Yves Thériault. Trata-se de examinar as possibilidades de reconstrução, via ficção, da imagem de comunidades étnicas postas habitualmente à margem da sociedade. As obras escolhidas tematizam o hibridismo, a memória, a territorialização; caracterizam também o índio como sujeito-cidadão. Nosso alicerce teórico remete principalmente aos conceitos bakhtinianos de discurso, dialogismo, polifonia que nos ajudaram a reler os textos, a reconstruí-los com vista a uma reflexão crítica sobre a realidade histórica dos índios do Brasil e do Canadá, assim como sobre o imaginário projetado sobre ambas as comunidades através de seus representantes ficcionais. Além de Bakhtin, temos solicitado igualmente os recursos de Néstor Canclini e Homi Bhabha para esclarecer os conflitos interétnicos suscitados nos textos pela presença de personagens que, por mais estranhos que possam parecer, são membros autênticos de nossa americanidade.

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22 de abril de 2003

José Guimarães Caminha Neto

A Escrava Isaura: uma visão multidimensional

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho busca revelar os muitos segredos que se escondem por trás das representações de uma escrava mestiça, nascida sob o signo do Romantismo, chamada Isaura. A personagem criada por Bernardo Guimarães, na segunda metade do século XIX, revela-se cheia de contradições que, nesta pesquisa, se explicam nas teorias pós-modernas. Assim como o Folhetim, gênero híbrido criado da união do Jornalismo Impresso com a Literatura, Isaura sofre o preconceito de não ser aceita pela sociedade por causa de sua origem. Esta dissertação acompanha os passos trilhados pela escrava desde o romance popular (1875) até o folhetim eletrônico (1976) para mostrar as muitas faces da nossa cultura e suas transformações. Na Literatura, as influências dos mitos fundamentais; de obras grego-romanas; do romance inglês do século XVIII, e norte-americano do século seguinte. Nas adaptações do romance para a mídia, teremos a comprovação de que Isaura mantém-se sujeita às regras mercadológicas da Indústria Cultural. Para manter-se viva, ela se transforma: idealizada e perfeita no Romantismo; relegada e maldita no Modernismo; resgatada e aceita pelo público com a ajuda da Televisão no final do século XX. Nos desdobramentos do mito de Isaura, constata-se a construção da auto-imagem do brasileiro: ideologicamente branco. Um mestiço que não se reconhece como tal.

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24 de fevereiro de 2003

Juarez Nogueira Lins

Geografia e Literatura: uma leitura interdisciplinar do Recife através da poesia de Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho e João Cabral de Melo Neto

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este texto é um estudo interdisciplinar, no qual se inter-relacionam os pressupostos teóricos da Literatura e da Geografia, objetivando ampliar as possibilidades de interpretação de um mesmo espaço a partir de duas leituras. A cidade do Recife, este espaço, é o objeto de estudo, e as fontes são obras literárias - poemas - de três poetas recifenses: Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho e João Cabral de Melo Neto. Os textos destes poetas tiveram como fonte de inspiração a paisagem geográfica, portanto, uma análise geográfica do poema é relevante para o estudo literário. Da mesma forma, a representação que os poetas fizeram desta paisagem geográfica traz elementos novos para o estudo geográfico. São duas leituras sobre a cidade, leituras que se complementam, com a literatura traduzindo o essencial das relações homem e espaço e a geografia subsidiando a interpretação dos textos literários que abordam o espaço recifense.

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20 de dezembro de 2002

Joana D’arc de Mendonça Cavalcanti

Dor-Amor: leitura e escritura dos contos de fada

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: “Dor-amor: leitura e escritura dos contos de fadas” propõe um trabalho de hermenêutica baseado na análise psico-crítica, assumindo como referência os pressupostos teóricos dos especialistas Jean Bellemin-Noel e Juan-David Nasio, nos quais fundamentamos nossas hipóteses e interpretações para dizer que tais narrativas nos desafiam na base dos nossos desejos mais profundos, portanto lugar de busca onde o leitor vivencia sua subjetividade de forma mais plena possível. Por meio da análise crítica das narrativas “Vasalisa: a sábia”, “O pequeno polegar”, “O junípero” e “A bela e a fera”, apontamos para o fato de que os contos de fadas constituem-se num território de transubjetividade, fonte inesgotável da experiência simbólica e do encontro entre o eu e o outro que se podem ver no "mais-além" que caracteriza a dimensão da ficção e da obra de arte. Por meio desses contos e dos autores que nos apóiam na aliança entre literatura e psicanálise, além dos já citados, visitamos Bruno Bettelelheim, Sheldon Cashdan, Melanie Klein, Maud Mannoni, Alfredo Garcia-Roza, entre outros, para dizer que os contos encantam porque nos ensinam que a vida é busca, desafio e captura de um sentido sem o qual não conseguimos uma resolução satisfatória para nossos dramas e conflitos. Enfim o mágico "Era uma vez..." da história de todos nós. Por isso, desde que o mundo é mundo as histórias existem e um conto de fadas é uma das mais elevadas expressões simbólicas de que o bem sempre vence o mal, que a palavra salva e faz esperançar. Apesar de todas as dores e etapas a serem vencidas, os contos de fadas nos ensinam que somos salvos pelo amor.

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2 de dezembro de 2002

Polyanna Angelote Camelo

Poesia e Alquimia em Terra Sonâmbula de Mia Couto

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho visa uma abordagem mítico-psicológica do romance Terra Sonâmbula do escritor moçambicano Mia Couto. Será nosso ponto de vista comparativo a Alquimia, base para um analogia poética entre a obra de arte literária e a Magnum Opus Alquímica. Esta dissertação estará dividida em duas partes, representando dois dos arquétipos do imaginário, a queda e a ascensão. As experiências oníricas do personagem central do romance serão nosso corpus básico numa análise simbólica do imaginário poético da obra. Além disso, uma abordagem cultural não poderia ser ignorada, tendo em vista que o romance Terra Sonâmbula, fazendo parte de uma literatura considerada Pós-Colonial, resgate uma identidade cultural subjugada.

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17 de abril de 2002

Jasmine Soares Ribeiro Malta

Poesia e Pintura: uma abordagem intersemiótica de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho investiga a produção dramatúrgica de duas autoras nordestinas: Francisca Izidora, de Pernambuco e Isabel Gondim, do Rio Grande do Norte. Mulheres oriundas da segunda metade do século XIX, que escreveram no início do século XX e dedicaram suas vidas à educação e as letras. Através da documentação reunida, reconstitui a contribuição à literatura brasileira oferecida pelas autoras. Elas desenvolveram atividades de ensino, publicaram livros dos mais diversos matizes, colaboraram para jornais importantes e romperam com limitações impostas ao seu sexo. O estudo comparativo estabelecido entre os dramas: O Sacrifício do Amor, inscrito por Isabel Gondim e Elnar, concebido por Francisca Izidora, elegem o tema do amor, presente nos dois textos, como matriz da abordagem poética. Partindo da vasta produção da escrita feminina, são analisadas somente peças de teatro. Sem pretensões de esgotar a questão, discute a temática e a maneira como são tratados nessas poéticas aspectos importantes da vida da mulher. As semelhanças e diferenças presentes nos textos abordados representam uma amostra significativa a respeito do assunto.

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1 de abril de 2002

Maria de Fátima Estevão de Oliveira

Poder, Violência e Sexualidade: devires sociais no discurso de/sobre a cidade. Uma leitura d’O Caso Morel e d’A Grande Arte, de Rubem Fonseca

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: A presente dissertação tem como tema as obras O Caso Morele A Grande Arte, do mineiro Rubem Fonseca. Focaliza-se nesses textos a problemática do poder, da loucura e da violência na urbe contemporânea, a partir de uma abordagem interdisciplinar, em uma tentativa de unir a Literatura à Filosofia. Em decorrência disso, busca-se compreender e desvelar a narrativa fonsecana - como ordenadora de eventos -, suas peculiaridades, seus liames e ultrapassagens com o romance policial “noir”, lado a lado com seus entremeios estéticos e sociais. A cidade como agente urb-enunciativo, o desejo como um vetor central do universo fonsecano, a ótica foucaultiana do poder e da loucura como linguagem mesclado a injunções sexuais perversas, desordenam a paisagem de um imaginário hipócrita que vem a permear a ideologia burguesa, presa fácil de um capitalismo tardio que tomou de assalto não só o Brasil, como quase toda a América Latina. Tudo isso à luz dos postulados filosóficos como os de Michel Foucault, Félix Guattari, Gilles Deleuze e Paul Ricoeur, concomitantemente as especulações crítico-literárias e culturais de Leila Perrone-Moisés, Octávio Paz, Jean Jacques Lyotard, Sérgio Paulo Rouanet. Destaca-se, também, na obra de Fonseca, as questões textuais como a metalinguagem, a intertextualidade, imbricadas aos takes cinematográficos, ora desterritorializando-os, ora reterritorializando-os, a fim de construir diversas transgressões sociais que espalham em todas as direções, devires deleuzianos que abarcam o sentido da vida.

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26 de março de 2002

Roseli da Silva Amorim

O Mal-Estar ontológico: o ser do-ente em “Morangos Mofados” (Caio Fernando Abreu)

Orientação: Sebastien Joachim e Jesús Vázquez
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Esta dissertação consiste num estudo interdisciplinar (Literatura e Filosofia) da obra Morangos Mofados (1995) do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996). Tal estudo procura levantar que, na obra citada, há uma teoria ontológica para o sentido do Ser que se manifesta através da linguagem literária. Para tal empreendimento, iremos fazer um trabalho hermenêutico, pela linguagem literária, dos elementos metafóricos, simbólicos e filosóficos que representam o solipsismo como perfil de grupo enclausurado dentro da solidão dos espaços fechados. Os problemas levantados sob o ponto de vista estético-filosófico serão contextualizados a um universo social que abala o sujeito e seus valores, dilacerando-os. A base filosófica que servirá de aparato para a pesquisa a seguir abarca alguns nomes, como o de Martin Heidegger (1889-1976), de Jean-Paul Sartre (1905-1980) e do literato Albert Camus (1913-1960), dentre outros.

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2 de julho de 2001

Marly Gondin Cavalcanti Souza

O impulso gerador dos títulos musicais na poesia de Da Costa e Silva e Moura Rego

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Esta dissertação objetiva analisar como se estabelece a relação entre música e literatura, considerando ponto de partida o impulso gerador dos títulos musicais como elementos paratextuais dos poemas de dois autores piauienses: Moura Rego e Da Costa e Silva, oferecendo uma alternativa de leitura e de análise da poesia, através de uma abordagem pela ótica da música, forma de lazer preferida pelos piauienses. O trabalho se organiza em quatro partes: a primeira delas fundamenta os conceitos envolvidos desde o mais geral – arte – até chegar ao ponto básico que é a relação entre música e poesia, particularizando na literatura piauiense. A segunda, bem como a terceira parte, trata da investigação da presença do impulso gerador dos títulos musicais na obra poética dos dois artistas, através de dois ângulos: o das formas musicais e o das menções feitas à música ou a seus elementos. A última parte focaliza o recurso da intertextualidade usado pelos poetas com títulos de músicas conhecidas. Este estudo evidencia que os títulos musicais dos poemas conduzem o leitor para a posição de ouvinte, estreitando a ligação entre as duas artes, promovendo o encontro das águas, ao mesmo tempo abrindo a perspectiva de experiência estética numa vivência mais ampla.

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7 de dezembro de 2000

Cynthia Tavares de Almeida Albuquerque

A Po(Ética) da Virulência nos Contos de Rubem Fonseca

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Um dos aspectos mais importantes e notórios da obra de Rubem Fonseca é a temática da violência. Por essa razão, a temática da violência tornou-se nosso ponto de partida para a obtenção de um entendimento do modelo de universo fonsequiano no presente estudo. Por isso um dos nossos maiores interesses tem sido revelar as causas da deflagração da violência nos muitos textos desse autor. Para isso, necessitamos compreender os vários processos de subjetividade dos seus personagens. Em nossa análise e em nossa exploração da figura do eu-narrador que está sempre presente nas mais violentas narrativas de Fonseca. Nosso suporte teórico deriva das idéias de Gilles Deleuze, Félix Guattari e Michel Foucault.

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31 de março de 2000

Fabiana Coelho de Souza Leão

Encruzilhadas: encontros e oposições nos cordéis de Manoel Pereira Sobrinho

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: As encruzilhadas que percorreremos constroem seus caminhos na literatura de cordel. Os folhetos do paraibano Manoel Pereira Sobrinho, que compõem esta pesquisa, vão nos falar de encontros que apenas se constróem a partir de desencontros. Separações. Ou seja, vão nos falar de identidades que somente se definem pela diferenciação. Do ser que se faz presença a partir do que não é. Ou da fronteira que marca o ponto de partida para toda viagem. Para toda passagem. Este é, portanto, o tema: o encontro. Ou melhor, a busca desta união sempre provisória, jamais derradeira. E as encruzilhadas de nossos folhetos assim se construirão. São quatro partes definidas a partir dos traços que marcam os casamentos e desencontros entre as personagens. Os pares que se buscam são sempre um homem e uma mulher, um pobre e um rico, um estrangeiro e um habitante da terra, um que habita os espaços de presença e outro que se oculta nos lugares do não-ser. Em cada uma destas partes, que caminham para o encontro, instala-se o desencontro e a contradição. Em cada encruzilhada, a busca de um casamento predestinado. Em cada encruzilhada, uma separação. Em cada encruzilhada, o movimento: de personagens que passam inesgotavelmente do desencontro para o encontro. Encontro que marcará novas passagens em uma interminável teia tecida entre vozes e letras, imaginário e simbólico, ser e não-ser, centro e margem, identidade e diferença.

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30 de março de 2000

Roberta Ramos Marques

Manoel de Barros e Antoni Tápises: “desperdícios” e oralidade numa poética do ordinário

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Empreendemos, neste texto, um estudo comparativo entre Livro sobre Nada (1966), de Manoel de Barros (Cuiabá, 1916) e oito obras do artista plástico Antoni Tàpies (Barcelona, 1923). Estabelecemos, como o ponto de partida para as convergências, a construção, na obra de ambos os artistas, de uma poética do ordinário. Esta poética compreende preferências temáticas comuns aos dois autores, tendo destaque os temas que tornam presente o homem “ordinário” e sua relação com tudo que a sociedade rejeita. Quanto à transposição do ordinário para a materialidade da linguagem (pictórica e verbal), verificaremos como os “desperdícios” utilizados por Tàpies em seus quadros (ou objetos) corresponderão aos “titubeios” da oralidade encarnados pela poesia de Manoel de Barros.

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10 de dezembro de 1999

Paulo César Souza García

A Cidade do Olhar: a expressão viva em “A Cidade Sitiada” de Clarice Lispector

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: A cidade é vista como uma rede semiótica especular, pressupondo uma teia de signos, que a informa através do olhar. Pronta para determinar argumentos e valores instigantes ou quem sabe, matéria viva, expressiva. O ato de espiar é incessante na cidade-texto de Clarice Lispector, pois corresponde à expressão do ver, do sentir, do ouvir, do perceber, do imaginar. As coisas expressam qualidades traduzidas por sensações que emergem através do contato do sujeito com o espaço. Desse modo, a aparência constitui uma provação e o imaginário uma provocação. Ambos são resgatados no deparar do grande com o pequeno. O acaso e os instintos são proporcionados na textura da cidade com o intuito de promover a presença do ser que se destaca, pinta e borda pelas margens do texto.

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15 de outubro de 1999

Valdenides Cabral de Araújo Dias

Das Margens do Corpo ao Corpo de Linguagem: A Incorporação na Poética de Gilberto de Mendonça Teles

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Nossa análise teve como objetivo mostrar como se dá o processo de incorporação textual na poesia de Gilberto Mendonça Teles, mais especificamente, nos livros Plural de Nuvens e Cone de Sombras. Seguimos aqui o percurso de sua escrituração, desde o ato de pensar a sua poesia até o momento em que se oferece ao leitor como corpo de linguagem, primeiro: as armadilhas da linguagem e da língua, a devoração da palavra e sua digestão, a sonora e sensual-idade das palavras no momento de sua "escalavração". Depois, como corpo erótico a circular dentro do corpo de linguagem: o lance de dedos, a fragmentação, o descontínuo do corpo, as suas margens e zonas; o melhor da mulher-palavra-poesia e de sua transgressão dita por um homem.

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1 de outubro de 1999

Paulo Fernando de Souza Júnior

Da Poesia Visual à Poesia Intersemiótica no Pós Modernismo Brasileiro

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: A presente dissertação tem como tema a influência das tecnologias da imagem - em especial o vídeo - no surgimento de uma poética intersemiótica, no contexto do pós-modernismo literário brasileiro, enfocando a análise das relações texto/imagem estabelecidas em Nome, de Arnaldo Antunes, a fim de verificar as transformações que estas tecnologias causaram na poética visual. No primeiro capítulo, faremos uma breve síntese histórica da poesia visual no Brasil, analisando alguns de seus procedimentos técnico-formais, suas propostas estéticas e ideológicas, e verificando seus estágios no contexto sócio-cultural nacional.

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7 de julho de 1999

Andréa Cabral de Miranda

A Representação Ficcional do Poder em “A Memória Revoltada”, de Maximiano Campos e o Quarto Fechado, de Lya Luft

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Nosso trabalho é uma leitura de dois romances: A memória revoltada-A.M.R., do pernambucano Maximiano Campos e O quarto fechado (O Q.F.), da gaúcha Lya Luft. De ordem comparativista, nossa abordagem enfoca as relações de poder, através das representações que as obras propõem. Nesses autores, o poder se mostra estreitamente ligado à loucura e à sexualidade. Portanto, abordamos as formas de loucura advindas das turbulências sociais, por vezes castradoras, e também os papéis atribuídos ao sexo feminino, e por conseguinte ao masculino. Convocamos para nos respaldar, algumas posições feministas na crítica literária, a dialética do Outro e do Mesmo, certos conceitos da psicanálise, sociocrítica e outras linhas de pesquisas, que nos ajudaram a espreitar os universos em questão.

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