Satiricon: as origens do romance e do realismo satírico
Orientação: Ricardo Bigi de Alquino
Área de Concentração: Teoria da Literatura
Obra provavelmente escrita no século I d.C.; o “Satiricon” é abordado nestes estudos como resultante da ação das mesmas forças histórico-pragmáticas e estético-ideológicas que condicionaram o aparecimento e a evolução dos gêneros literários na Antiguidade. Através desta abordagem foi possível observar que a evolução dos gêneros seguiu dois rumos que coincidiram com a divisão aristotélica do drama helênico, em tragédia e comédia. A partir dos princípios adotados na criação do drama é possível compreender a existência de pelo menos duas espécies de realismo: 1 - O realismo trágico de caráter idealista teve como sua principal fonte o mito; a Tragédia conheceu seu pleno desenvolvimento no século V a.C. em Atenas; 2 - O realismo cômico que teve como fonte a própria realidade; a Comédia mimetizou o homem comum e desenvolveu ao longo das transformações que as cidades gregas sofreram, e se desenvolveu entre os romanos no século II a.C. Além dos gêneros miméticos, a evolução do realismo fez aparecer os gêneros teóricos escritos principalmente em prosa. O romance antigo é um gênero que apresenta uma estrutura híbrida e teria nascido da fusão desses gêneros em resposta às novas demandas estético-ideológicas que surgiram com a decadência da Hélade e com a ascensão das monarquias alexandrinas e de Roma. O “Satiricon”, classificado aqui como romance satírico, é uma importante obra mimética que exemplifica com clareza a evolução do realismo cômico em contraste com o realismo trágico.
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Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE
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3 de junho de 2005
26 de agosto de 2002
Marcela Macêdo Sampaio de Souza
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Letras Digitais
O Amor: a liberdade e a morte, diálogo entre A Casa de Bernarda Alba e os Sete Gatinhos
Orientação: Ricardo Bigi de Aquino
Área de Concentração: Teoria da Literatura
Resumo: Nos propusemos a fazer, nesta dissertação, uma análise das convergências e interseções das obras teatrais A Casa de Bernarda Alba, de Frederico Garcia Lorca e Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues, sob a perspectiva do Amor, da liberdade e da Morte. Estudamos a interação dos temas entre si e sua relação com as obras citadas, e analisamos as coincidências na estruturação das tramas e na composição das personagens levando em consideração os princípios de autoridade e liberdade, por onde os caminhos da manifestação da sexualidade/desejo são conduzidos.
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Resumo: Nos propusemos a fazer, nesta dissertação, uma análise das convergências e interseções das obras teatrais A Casa de Bernarda Alba, de Frederico Garcia Lorca e Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues, sob a perspectiva do Amor, da liberdade e da Morte. Estudamos a interação dos temas entre si e sua relação com as obras citadas, e analisamos as coincidências na estruturação das tramas e na composição das personagens levando em consideração os princípios de autoridade e liberdade, por onde os caminhos da manifestação da sexualidade/desejo são conduzidos.
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26 de outubro de 2001
João Denys Araújo Leite
Postado por
Letras Digitais
Um Teatro da Morte: transfiguração poético do Bumba-meu-Boi e desvelamento sociocultural na dramaturgia de Joaquim Cardozo
Orientação: Ricardo Bigi de Alquino
Área de Concentração: Teoria da Literatura
Resumo: Este trabalho estuda a obra dramatúrgica de Joaquim Cardozo tomando como enfoque principal as obras O Coronel de Macambira(1963), De uma Noite de Festa(1971) e Marechal, Boi de Carro(1975), todas compostas como gênero teatral Bumba-meu-Boi. A investigação desta trilogia demonstra como o autor opera uma transfiguração poética da manifestação popular Bumba-meu-Boi e desvela significativas relações socioculturais. Numa visada interdisciplinar, de base cultural, este estudo busca inaugurar uma abordagem crítica da dramaturgia cardoziana. Tal esforço possibilita examinar pilares importantes da estrutura teatral do Bumba, enquanto produto artístico das camadas subalternas da sociedade brasileira e como produto das pesquisas de folcloristas, antropólogos e intelectuais. A análise retoma, outrossim, um debate sobre literatura teatral e cultura popular, e o folclore. A diversidade de fragmentos temáticos apresentados, ou postos em questão, busca revelar como Cardozo constrói uma poética teatral moderna. Essa construção entrecruza elementos dos questionamentos e debates seculares, acima aludidos, com um universo de influências dramatúrgicas antigas e contemporâneas. Dessas influências, destacam-se expressões culturais locais com partículas de algumas expressões teatrais e filosóficas do Oriente, com empréstimos tomados das ciências, com um intenso trabalho com a linguagem, com cenas fragmentadas, múltiplas e diversas que apontam para um teatro épico moderno. Ao reiterar em todos os seus Bumbas as mais variadas e fundantes concepções de morte, reerguendo e dando vida a personagens e episódios da História dos deserdados, em contraponto com a História dos donos do poder, o autor consolida uma obra letrada de perspectiva eminentemente popular. Esta obra super-regionalista, em sua atualidade crítica, distende a visão do ser humano plantado em seu chão, conferindo-lhe uma dimensão cósmica. Urdindo um texto teatral singular, em que a região é delineada como espaço de fronteiras arbitrárias, Cardozo se apropria da principal matéria-prima de sua criação – transformando-a por meio de torções e distensões análogas às realizadas pelos topólogos – reordena, estabelece e insere o Bumba na tradição do texto teatral escrito, criando um conjunto dramatúrgico híbrido, mas absoluto em sua teatralidade, marcado por um discurso incisivo contra toda vida destrutiva, ao qual denominamos um teatro da morte.
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Orientação: Ricardo Bigi de Alquino
Área de Concentração: Teoria da Literatura
Resumo: Este trabalho estuda a obra dramatúrgica de Joaquim Cardozo tomando como enfoque principal as obras O Coronel de Macambira(1963), De uma Noite de Festa(1971) e Marechal, Boi de Carro(1975), todas compostas como gênero teatral Bumba-meu-Boi. A investigação desta trilogia demonstra como o autor opera uma transfiguração poética da manifestação popular Bumba-meu-Boi e desvela significativas relações socioculturais. Numa visada interdisciplinar, de base cultural, este estudo busca inaugurar uma abordagem crítica da dramaturgia cardoziana. Tal esforço possibilita examinar pilares importantes da estrutura teatral do Bumba, enquanto produto artístico das camadas subalternas da sociedade brasileira e como produto das pesquisas de folcloristas, antropólogos e intelectuais. A análise retoma, outrossim, um debate sobre literatura teatral e cultura popular, e o folclore. A diversidade de fragmentos temáticos apresentados, ou postos em questão, busca revelar como Cardozo constrói uma poética teatral moderna. Essa construção entrecruza elementos dos questionamentos e debates seculares, acima aludidos, com um universo de influências dramatúrgicas antigas e contemporâneas. Dessas influências, destacam-se expressões culturais locais com partículas de algumas expressões teatrais e filosóficas do Oriente, com empréstimos tomados das ciências, com um intenso trabalho com a linguagem, com cenas fragmentadas, múltiplas e diversas que apontam para um teatro épico moderno. Ao reiterar em todos os seus Bumbas as mais variadas e fundantes concepções de morte, reerguendo e dando vida a personagens e episódios da História dos deserdados, em contraponto com a História dos donos do poder, o autor consolida uma obra letrada de perspectiva eminentemente popular. Esta obra super-regionalista, em sua atualidade crítica, distende a visão do ser humano plantado em seu chão, conferindo-lhe uma dimensão cósmica. Urdindo um texto teatral singular, em que a região é delineada como espaço de fronteiras arbitrárias, Cardozo se apropria da principal matéria-prima de sua criação – transformando-a por meio de torções e distensões análogas às realizadas pelos topólogos – reordena, estabelece e insere o Bumba na tradição do texto teatral escrito, criando um conjunto dramatúrgico híbrido, mas absoluto em sua teatralidade, marcado por um discurso incisivo contra toda vida destrutiva, ao qual denominamos um teatro da morte.
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