Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

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15 de abril de 2005

Najin Marcelino Lima

A Construção da Identidade de Lula em Jornais de Língua Inglesa

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

O objetivo desse trabalho é analisar como se deu à construção da identidade do então candidato à presidência do Brasil, Lula, em jornais de língua inglesa. Acreditamos que na tentativa de se traçar o perfil de um líder político de uma nação, os jornais identificam simultaneamente e em boa parte o povo daquela nação. Assim, ter acesso ao que era dito a respeito de Lula nesses jornais possibilita-nos, até certo ponto, entender como somos representados fora de nosso país. Como suporte teórico, utilizamos os estudos desenvolvidos no âmbito da Análise Crítica do Discurso (ACD). Partimos das pesquisas de Fairclough considerando, sobretudo, seu quadro tridimensional e a sua preocupação em tratar de discurso como ferramenta para mudança social. Para entendermos melhor as engrenagens da mídia na produção de discursos, nos valemos dos conhecimentos produzidos por teóricos como Van Dijk, Kress, Fowler, Van Leeuwem, entre outros. Graças a sua natureza, a ACD nos possibilitou produzir um trabalho interdisciplinar, daí termos embasado boa parte de nossas considerações sobre identidade nas pesquisas provenientes da antropologia lingüística. Percebemos, ao final do trabalho, que a identidade de Lula é construída, sobretudo, com base nas suas ações. As mudanças de atitude (desde posicionamentos políticos a transformações estéticas) pelas quais Lula vinha passando foram um foco significante dos textos que trataram a seu respeito. A sua "identidade" foi mudando ao longo do tempo. Todavia, tanto como uma ameaça remota da esquerda no começo, quanto candidato certo à vitória no final, as considerações sobre ex-lider sindical eram sempre carregadas de um tom avaliativo e que remetiam a algum tipo de alerta.

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1 de outubro de 2004

Arcélio Alves Fortes

Política e Planejamento Lingüísticos para o MERCOSUL: uma análise dos livros didáticos de espanhol usados em Alagoas

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Esta pesquisa tem por objetivo constatar se o Brasil desenvolve alguma política ou planejamento lingüístico para a integração com seus parceiros comerciais do MERCOSUL através da análise de livros didáticos de espanhol produzidos no país e usados em Alagoas, mais precisamente na cidade de Maceió. Para alcançar esse objetivo selecionamos as quatro coleções de livros didáticos de língua espanhola mais usadas na rede privada de ensino no nível médio: Español Sin Frontera, da Editora Scipione; Español Hoy, editado por Scipione e Anaya; Expansión: Español en Brasil, publicado pela FTD e Mucho: Español para Brasileños, editado pela Moderna. Para a análise do corpus, usamos conceitos da Lingüística Aplicada (Leffa, 1999), Lexicologia (Lipsky, 1994), Análise do Discurso (Orlandi, 1988), Política Educacional (Hoffling, 2001), e Direito Constitucional (cf, 1988). Analisamos quantitativamente o aparecimento de variantes lingüísticas, temas culturais e menções de palavras que reportassem tanto a Espanha quanto aos países hispano-falantes pertencentes ao MERCOSUL para comprovar a aproximação de nosso país com Argentina, Paraguai e Uruguai. Constatou-se que as coleções Español Sin Fronteras, Español Hoy e Expasión: Español en Brasil não proporcionavam ao aluno brasileiro a aproximação com os países do Mercado Comum do Sul em contraponto com a Coleção Mucho: Español para Brasileños que, conforme suas autoras propõem, busca com que o estudante brasileiro conheça melhor seus vizinhos continentais.

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26 de julho de 2004

Iveuta de Abreu Lopes

Cenas de Letramentos Sociais

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Compreendendo que o letramento é um fenômeno essencialmente social e que os usos da escrita são determinados pelas matrizes socioculturais que as configuram no contexto social, o presente estudo objetiva, através de uma abordagem etnográfica, investigar os usos que se fazem da escrita numa comunidade localizada na periferia da cidade de Teresina, capital do Estado do Piauí, formada a partir da ocupação de uma propriedade particular, para assentamento de famílias sem-teto, minuciosamente planejada por entidades que atuam em movimentos sociais. O trabalho tem como suporte teórico os princípios e postulados que fundamentam os Novos Estudos do Letramento, perspectiva segundo a qual o letramento é concebido como prática social que se processa pela intermediação da palavra escrita e vê a leitura e a escrita não como habilidades individuais, mas como atividades interativas, socialmente situadas e vinculadas a aspectos da cultura e das estruturas de poder nas quais se constituem. Os dados da pesquisa etnográfica revelam que, na comunidade pesquisada, como em qualquer outro espaço social, a escrita é, por natureza, um recurso que se presta a estabelecer e a manter a comunicação entre aqueles que dela lançam mão. Desta função geral, no entanto, observam-se desdobramentos que se conformam às demandas impostas pelo contexto sócio-histórico e é neste contexto que os significados dos atos de ler e de escrever adquirem nuances particulares. As demandas que emergem nos contextos por onde transitam os atores sociais da pesquisa oferecem-lhes oportunidades para que atuem em práticas sociais em instâncias diversas, numa dinâmica interacional que lhes garante a possibilidade de cultivar laços afetivos e sociais, organizar minimamente a casa onde residem e a própria vida pessoal, informar-se e participar ativamente do convívio social. Nessa dinâmica a escrita tem papel imprescindível e reveste-se de um significado social muito particular: a um só tempo as ações que se processam por intermédio da palavra escrita configuram-se em desafios e em símbolos de mudanças.

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2 de junho de 2004

Herimatéia Ramos de Oliveira Pontes

A Construção das Identidades Sociais de Vítimas e Criminosos no Relato de Crimes de Morte na Mídia Impressa

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Pode parecer comum a um/a leitor/a de jornais e revistas impressas que os editoriais ou artigos de opinião sejam os “lugares adequados” para que posições ideológicas sejam explicitadas. O que dizer das notícias e reportagens, especialmente dos relatos de crime de morte, uma vez que a mídia impressa se propõe a informar os fatos que ocorrem na sociedade de forma neutra e imparcial, deixando que o leitor os interprete e tire suas próprias conclusões? Este estudo tem por objetivo analisar a construção de identidades sociais de vítimas e criminosos no relato de crimes de morte, como um dos efeitos da prática discursiva, constituindo-se assim, um importante instrumento para se verificar a mudança social. Através da investigação das categorias lingüístico-discursivas utilizadas na produção das notícias e reportagens, destacamos a natureza político-ideológica como base dessa construção de identidades. Para viabilizar esta análise, nos situamos na abordagem da Análise Crítica do Discurso como método de pesquisa social, tomando como referencial teórico-metodológico a teoria social do discurso de Fairclough (2001) que analisa o discurso enquanto produção textual, prática discursiva e prática social. Ao verificarmos como se dá a representação lingüística da realidade social no texto noticioso, precisamente, a representação das identidades sociais de vítimas e criminosos nos relatos de crimes de morte na mídia impressa, percebemos que há uma discrepância entre a realidade e a representação textual dessa realidade que funciona ideologicamente. Uma análise crítica do discurso da mídia impressa nos permite, portanto, uma conscientização crítica dos usos da linguagem e sua relação com as práticas sociais contribuindo assim, para mudança social dessas práticas.

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13 de abril de 2004

Elizabeth Marcuschi

As Categorias de Avaliação da Produção Textual no Discurso do Professor

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Nas reflexões desenvolvidas neste estudo, partimos da suposição de que os parâmetros da avaliação escolar são socialmente construídos e historicamente situados. Consideramos também que o ensino e a avaliação da língua materna no espaço escolar devem ocupar-se essencialmente dos aspectos interativos, cognitivos e discursivos da língua. Admitidos esses fundamentos, questionamos: Como são construídas pelo professor de língua as categorias com as quais ele opera na avaliação dos textos escritos por seus alunos, ou seja, quais são e como são tratados os fenômenos lingüísticos selecionados pelo docente, quando da elaboração de categorias avaliativas? O interesse do nosso estudo volta-se, portanto, para o processo de produção e seleção, pelo professor, das categorias que determinam o valor do texto do aluno, a conhecida redação, e apóia-se predominantemente nas concepções teóricas advindas da Lingüística Cognitiva de base sociointeracional, articulando a elas contribuições provenientes da Análise do Discurso e da Lingüística de Texto. Concluímos que as categorias avaliativas são interativamente construídas e estabilizadas para fins práticos, adquirindo saliência, nesse processo, os valores lingüísticos inspirados em um modelo monológico (não-dialógico) de redação.

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29 de novembro de 2000

Sandra Helena Dias de Melo

Estilo e Neutralidade no Texto Noticioso Jornalístico

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este estudo teve como objetivo central mostrar como o estilo, num trabalho conjunto entre forma e sentido, produz notícias e reportagens nada imparciais nos textos noticiosos jornalísticos. Visto que a imagem da neutralidade do texto noticioso, construída a partir da divulgação de manuais de redação e estilo jornalístico, advém da visão de um estilo que prima unicamente pela forma no relato da informação imparcial, procurou-se identificar os elementos discursivo-textuais que evidenciassem a não-neutralidade do estilo no texto noticioso, a partir de uma análise discursiva e cognitiva. A partir de um corpus (catorze reportagens e cinco notícias), contendo matérias de 1997 a 2000, fez-se uma análise da relação entre o discurso de neutralidade do estilo nos manuais e livros técnicos da Imprensa e o efeito real do efeito noticioso. Partindo da posição de que o estilo é produtor de sentido e da necessidade de observá-lo a partir de uma perspectiva holística, procurou-se identificar, nesta investigação, marcas discursivo-textuais que exercem importantes e diferentes funções no estabelecimento de sentidos que comprovassem a não-neutralidade do texto noticioso, seja porque a língua não é uma instância neutra da ação humana, seja porque o estilo é um trabalho conjunto entre forma e sentido, destituído do poder de neutralizar qualquer texto. Na análise do corpus, verificou-se além da opacidade da língua, mesmo quando submetida a regras de padronização, a recorrência de estratégias argumentativas na produção do texto noticioso, evidenciando o estilo como seleção de forma e sentido no processamento de informação da imprensa. Os resultados obtidos comprovam a visão do estilo como uma seleção não neutra e como um ato lingüístico fundamental na produção de efeitos de sentido.

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17 de outubro de 2000

Maria Lúcia Ferreira de Figueirêdo Barbosa

A Polidez no Discurso de Crianças e Adolescentes

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Este trabalho examina o uso de rotinas de polidez (elogiar e pedir desculpas) em interações diadáticas e multiparte de crianças e adolescentes. O perfil comunicativo dos informantes é descrito com base em estratégias que eles utilizam com vistas a atender necessidades pessoais e sociais surgidas no curso das interações. Elogios e pedidos de desculpas são analisados levando-se em conta o background sociocultural compartilhado por proferidores e destinatários de elogios, bem como por ofensores e ofendidos. Ambas as rotinas são analisadas na perspectiva da sociolingüística interacional (Gumperz, 1982), fundamentando-se o estudo da polidez lingüística em estudos de inspiração pragmática cuja abordagem centra-se nos mecanismos de estratégias de polidez que visam a harmonizar a interação social (Leech, 1983; Brown e Levinson, 1987). O corpus é formado por crianças e adolescentes e compreende 64 elogios e 64 respostas, assim como 33 ofensas e 33 pedidos de desculpas, coletados em conversações, jogos e brincadeiras em situações informais espontâneas. De acordo com os resultados, os informantes de modo geral usam elogios como mecanismos de atender às necessidades de reconhecimento e aprovação dos interlocutores, mas observa-se uma tendência significativa no grupo de adolescentes femininos a trocarem elogios entre si com o objetivo de aprovar e reconhecer aspectos relacionados a auto-imagem das interlocutoras. Do ponto de vista das respostas e elogios, observa-se uma maior desenvoltura no uso de respostas que requerem o manejo de estratégias de polidez em meninas a partir de dez anos de idade. No que se refere à rotina de pedir desculpas, observa-se que os ofensores raramente pedem desculpas, observa-se aos interlocutores. A análise de ofensas e pedidos de desculpas é coerente com a idéia de que os informantes não toleram atos de auto-humilhação. Nota-se a presença de convenções que determinam quais os tipos de atos são ofensivos, tendo-se em vista que o contexto assume um papel relevante na definição da gravidade da ofensa. Uma ofensa pode ser leve ou grave dependendo do contexto de sua realização e de negociações entre ofensores e ofendidos. Os pedidos de desculpas realizados por crianças e adolescentes demonstram que os informantes lidam com o conceito de polidez, mas verifica-se variação em relação a fatores como idade e sexo, uma vez que a operação de estratégias de polidez em pedidos de desculpas ocorre de forma mais consistente a partir de oito anos de idade, sobretudo por parte de falantes femininos. De modo geral, as interações de crianças e adolescentes situam-se a partir de um eixo no qual se centralizam-se os desejos e a s expectativas de cada um dos participantes. O equilíbrio das interações entre eles somente é atendido à medida que os interesses centrais de cada um são respeitados. Evidencia-se portanto um padrão interacional centrado no indivíduo e em suas necessidades, com características peculiares a culturas ocidentais e européias como as descritas por Mao (1994) e Kerbrat-Orecchioni (1994).

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23 de maio de 2000

Carlos Alberto Domingues do Nascimento

O Estatuto Lógico-Semântico do Discurso Delirante: a irrelevância da definição psiquiátrica do delírio

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: O estudo objetivou uma crítica negativa à concepção psiquiátrica que define o delírio como um discurso falseador da realidade. Para tanto, empreendeu-se a análise do delírio inverossímil e verossímel, procurando-se observar se, no ato proposicional correspondente a cada um, dá-se a realização de um ato referencial e um ato predicativo que satisfaz as condições lógico-semânticas próprias a uma descrição falsa da realidade. O corpus escolhido foi o texto Memórias de um Doente dos Nervos, escrito por Daniel Paul Schreber. Os segmentos discursivos analisados, aqueles que se afiguram como assertivos, foram editados na forma de asserções predicativas singulares. Com a edição, reduziu-se o segmento textual escolhido a uma estrutura frasal composta de um termo singular e um termo predicado, que permitiram, respectivamente, a avaliação do ato referencial e do ato predicativo de cada tipo de ato de fala delirante (verossímil e inverossímil). Os resultados mostraram que o delírio tanto consiste de pseudo-asserções, ou seja, enunciados sem valor de verdade, como de asserções verdadeiras ou falsas. Constatamos, então, que a definição psiquiátrica, ao recorrer à falsidade, usa uma propriedade que nem é essencial à compreensão do termo delírio e nem serve à identificação do fenômeno por ele designado. Nesse contexto, concluímos que a definição psiquiátrica é equivocada, trivial, contraditória e revela a verdadeira natureza da linguagem delirante: um discurso poético com o qual se dá a expressão das representações de quem o formula, daquele que é delirante.

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17 de abril de 1998

Angela Paiva Dionisio

Imagens na Oralidade

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Em interações face a face, a construção de imagens apóia a construção de sentidos. Com base nesta premissa, este trabalho procura investigar, na heterogeneidade discursiva inerente ao discurso oral, como os sistemas de conhecimento (lingüístico, enciclopédico e interacional) e os princípios geradores de imagens (princípios de equivalência perceptual, espacial, transformacional e estrutural) interagem no processamento de imagens mentais, visuais e auditivas, favorecendo a construção de sentido. O corpus em estudo se compõe de interações face a face gravadas numa comunidade negra, analfabeta e semi-isolada do interior paraibano. Numa abordagem interdisciplinar, a perspectiva analítica qualitativa adotada nesta investigação se baseia em contribuições da Antropologia Lingüística, da Sociolingüística Interacional, da Lingüística de Texto, da Análise da Narrativa e da Análise da Conversação. O trabalho está organizado em quatro capítulos. O primeiro capítulo sistematiza os princípios geradores e os sistemas de conhecimento ativados no processamento textual das imagens e seus correlatos lingüístico-discursivos, fornecendo respaldo teórico para análises das imagens nas descrições no capítulo II, das imagens no metadiscursono capítulo III e das imagens nas narrativas no capítulo IV. Cada um desses capítulos, porém, traz noções teóricas específicas aos gêneros e subgêneros comunicativos focalizados, as quais se integram aos pressupostos apresentados no capítulo I, norteando, desta forma, o estudo das imagens. De acordo com as análises, é possível formular uma conclusão geral: a construção de imagens, capacidade peculiar a qualquer usuário da língua, entrelaça experiências novas e antigas na construção de significados, ativando e atualizando os modelos cognitivos socialmente estruturados, favorecendo ao entendimento e ao envolvimento na formulação do texto oral.

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29 de julho de 1995

Nadja Maria Vieira

Interação e Linguagem de Crianças com Síndrome de Down

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O presente trabalho tem como conteúdo uma investigação sobre a interação e linguagem de crianças com Síndrome de Down (SD). Procuramos enfatizar a identificação e elementos e processos lingüísticos que permitem avaliar a interdependência dos papéis de falante e ouvinte; é uma análise da habilidade para adequação da fala da criança com SD em função da mudança de ouvinte (adulto ou criança mais jovem), e da sua competência conversacional. Para isto aplicamos basicamente parâmetros teóricos e metodológicos de duas pesquisas: a) de Shatz & Gelaman (1974), para uma análise quantitativa, destacando aspectos como Tamanho Médio do Enunciado (TME) e a Variação de Categorias Morfossintáticas preestabelecidas, em função de diferentes ouvintes e b) de Ochs e Shieffelin (1983) para uma análise qualitativa destacando a presença de Categorias de Endereçamento do falante com SD a diferentes ouvintes e do tipo de Operações com Referentes, observando o aspecto da negociação semântica através da repetição ou substituição de referentes. O resultado das análises dos dados indicou uma menor quantidade e complexidade da fala dirigida ao adulto. As formas de endereçamento e operação com referentes, definidas a partir dos dados de Ochs e Shieffelin (1983) de crianças “normais” também estive presente nos dados analisados aqui, levando-nos à conclusão que existiram certas semelhanças entre o desenvolvimento da competência conversacional de pessoas "normais" e com SD.

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30 de junho de 1995

Miguel Espar Argerich

Tipos e Funções da Repetição: estudo em aulas de Espanhol para brasileiros

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Esta reflexão surge no bojo do trabalho do autor ao ensinar o espanhol como língua estrangeira para traçar um esboço do funcionamento pluridimensional da repetição. Tenta arquitetar as mais variadas e recorrentes manifestações de repetição, identificadas na transcrição de conversações ocorridas durante seis aulas gravadas no Centro Cultural Brasil Espanha do Recife, com o intuito de estabelecer uma tipologia funcional do fenômeno, que se junte à do Prof. Marcuschi (1992ª). Tenciona, também, contribuir para precisar a influência da repetição na interação verbal em sala de aula. Busca, ainda, ampliar a consciência da significação para a conversação da assimetria relacional que marca o contexto escolar; para tanto, na análise de casos concretos, aporta observações de cunho etnográfico. Espera-se apontar regularidades que sejam como que degraus de aproximação à compreensão da melhor utilização da linguagem. Quer, igualmente, insurgir-se contra diversas formas de estigmatização a que se vê submetida à repetição no âmbito escolar. A especificidade do corpus analisado favorece a uma maior incidência da repetição nos âmbitos interativo, de formulação e de compreensão, e no do tópico, quando metalinguagem. As repetições se apresentam como sistematizáveis e essenciais à fala. Surgem indicações – que não serão exploradas aqui – que apontam para o potencial valor analítico da tipologia construída, como instrumento revelador da realidade pedagógica. No trabalho descritivo emerge com força a exigência de enfrentar a indicação da plurifuncionalidade concomitante que transparece na interação verbal. Apesar das limitações, pensa-se no trabalho como uma contribuição para alargar o leque das pesquisas realizadas, a partir da análise da conversação, no âmbito da lingüística aplicada ao ensino de língua estrangeira.

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27 de junho de 1994

Maria Lucia Ferreira de Figueiredo Barbosa

Análise de Respostas a Elogios na Conversação

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho examina o comportamento lingüístico de receptores de elogios. As ações de preferência e de despreferência aos elogios são analisadas a partir de estudos da Teoria da Polidez Lingüística (Lakoff, 1975 e Brown e Levinson, 1987). O corpus é formado por falantes de ambos os sexos e compreende 100 elogios e 100 respostas, coletadas em situação informal e 60 elogios e 60 respostas coletadas em situação formal. Segundo os dados pesquisados, os receptores de elogios tendem a discordar e a evitar os elogios, sobretudo quando são elogiados diretamente. Regras culturais subjazem proferimentos e respostas a elogios. Por vezes, as regras são diferentes para homens e mulheres. Em situação informal, por exemplo, as mulheres proferem muito mais elogios do que os homens e discordam muito mais dos elogios do que estes. Já em situação formal, os homens elogiam seus interlocutores, mas discordam dos elogios com mais freqüência do que as mulheres. De modo geral, as diferenças observadas no comportamento lingüístico de proferidores e receptores de elogios são o reflexo das diferenças nos papéis sociais a serem desempenhados por falantes e ouvintes de ambos os sexos.


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10 de dezembro de 1993

Carlos Alberto Domingues do Nascimento

A conversação na psicose infantil: uma análise da organização tópica

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho objetiva o estudo da organização tópica da conversação de sujeitos portadores de Distúrbios Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação. Para tanto, analisamos um corpus de duas adolescentes que precocemente - aos dois anos - apresentaram este distúrbio. São abordadas duas propriedades do tópico discursivo: a centração e a progressão tópica. Para a primeira recorremos aos pré-requisitos que asseguram o estabelecimento do tópico: l - captação da atenção, 2 clareza, da articulação, 3 - identificação dos referentes e 4 -identificação da relação semântica entre os referentes. Em relação a segundo, definimos uma estrutura de participação em que observamos três papéis: falante primário, falante secundário e ouvinte. Estes estão relacionados à execução das açoes tópicas, das formas de apoio e dos sinais de atenção, respectivamente. Os resultados obtidos mostram que o participante psicótico além dos componentes da organização tópica de conversações não-psicótieas, apresentam alguns componentes que parecem característicos ao seu desempenho: l - cisma, 2 - referenciação descontextualizada, 3 reação irrelevante e 4 - quebra de tópico. Os três primeiros relacionam-se a centração e o segundo a progressão tópica. Concluímos que a organização tópica da conversação psicótica apresenta uma combinação dos componentes usados na conversação não-psicótica com aqueles que lhes são peculiares, desta forma, temos uma conversação cujo desenvolvimento é marcado pelo envolvimento/não-envolvimento e pela coopersção/não-cooperação.


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28 de agosto de 1992

Virgínia Colares Soares Figueirêdo Alves

A Decisão Interpretativa da Fala em Depoimentos Judiciais

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi e Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho busca demonstrar que a consignação de depoimentos judiciais decorre de decisões interpretativas efetuadas durante a tomada dos depoimentos. Os dados aqui analisados foram coletados durante audiências de instrução e julgamento na Justiça pernambucana. A análise subdivide-se em dois estágios: o primeiro, observacional, que compreende a descrição etnográfica do evento e a tomada de depoimento; o segundo, descritivo-explicativo, que culmina com a classificação das transformações processadas a partir do depoimento, no ato da elaboração do documento da audiência. As análises realizadas evidenciam que o registro escrito do depoimento oral apresenta certas discrepâncias sob o ponto de vista proposicional (no plano do conteúdo) atribuíveis às condições de produção da fala, já que a própria estrutura do evento impõe mediação do texto-depoimento para o texto-documento. Essa passagem implica processos de organização da textualidade que possibilitam decisões interpretativas.

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6 de agosto de 1992

Angela Paiva Dionisio

A Interação nas Narrativas Orais

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho dedica-se ao estudo das estratégias interacionais utilizadas pelos interlocutores no processo de construção de narrativas espontâneas em conversas naturais. As narrativas analisadas foram produzidas por falantes analfabetos, moradores de uma comunidade semi-isolada do interior da Paraíba. Após uma investigação comparativa entre as modalidades narrativas e as categorias étnicas da comunidade, centralizaram-se as análises nas estratégias interacionais empregadas pelo narrador e pela audiência. Os narradores recorrem a três estratégias: (a) o ato de narrar em si, (b) a organização tópica dos blocos narrativos e (c) as ações narrativas. A audiência, por sua vez, comporta dois tipos de interlocutores, que apóiam o narrador, manifestam oito tipos de apoio: (a) apoio pelo endosso, (b) apoio pela repetição, (c) apoio pela avaliação, (d) apoio pela complementação, (e) apoio pela suplementação, (f) apoio pela indagação, (g) apoio pela resposta e (h) apoio pela explicação. Já o ouvinte contribui pelo monitoramento do discurso do narrador e pelo incentivo a terminar a estória. Conclui-se que (a) o texto narrativo é co-produzido, (b) as funções desempenhadas pelos falantes estão diretamente relacionadas com as contribuições por estes realizadas e (c) a distinção entre formas e funções das contribuições da audiência não possui limites estanques, pois se constata a co-ocorrência de estratégias interacionais do ouvinte e do falante secundário numa mesma intervenção.

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10 de julho de 1986

Ana Cristina de Souza Aldrigue

A Linguagem do Seringueiro no Estado do Acre

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho tem como objetivo principal registrar o léxico usado na extração do látex da Hevea brasiliensis (seringueira) no Estado do Acre. Inclui considerações históricas e sócio-econômicas do estado, situando o grupo em estudo. Abrange a Organização de campos semânticos a partir de três lexemas centrais – seringal, homem, látex, juntamente com uma análise sêmica, baseada na teoria de Bernand Pottier; análise dos processos de formação de palavras; considerações sobre variação lexical; e a organização de um glossário contendo: definição, classe gramaticais, exemplos e quadros, indicando, ou não, a dicionarização dos termos coletados.

» Dissertação disponível em breve.

10 de junho de 1986

Romul Alves Pires

O Uso da Hipérbole na Linguagem Parlamentar Escrita

Orientação: Judith Chambliss Hoffnagel e Gilda Lins de Araújo
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho procura estudar a hipérbole e observar como ela é usada na linguagem parlamentar escrita. O segundo capítulo procura definir hipérbole, descobrir as formas sob as quais ela se apresenta, seus limites, seu uso e sua utilidade. Nele é feita uma pesquisa junto aos diversos tipos de dicionários; às gramáticas; e aos trabalhos feitos por lingüistas. O terceiro capítulo faz um levantamento dos elementos semânticos e pragmáticos, da análise do discurso e da teoria da comunicação que podem ser úteis na análise dos textos parlamentares. O quarto capítulo faz a análise do corpus, composto de quinze documentos, de três espécies diferentes escritos por parlamentares diferentes. As hipóteses levantadas no início da introdução são respondidas de duas formas: as questões de caráter teórico no segundo capítulo e as práticas na análise dos textos. Na análise, as conclusões aparecem em três locais diferentes e são resumidas no final.

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4 de outubro de 1984

Norma Maria Beltrão Castelo Branco

A Conversa na Fotonovela: estudo comparativo com a telenovela e com a conversa natural

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho consta de uma comparação ente a fotonovela, a telenovela e a conversa natural. O seu objetivo é a averiguação da fidelidade desses dois veículos de comunicação de massa para com a conversa natural. Em primeiro lugar, examina-se a organização conversacional. Depois, são observados os atos de fala. Finalmente, notam-se os aspectos estilísticos das frases. O confronto de tais fenômenos evidencia a aproximação da fotonovela à telenovela e a distância entre elas e a conversa natural.

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11 de dezembro de 1981

Maria Luci de Biaji

Técnicas para a Coleta de Dados Lingüísticos

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O presente estudo é uma abordagem didática da seleção de informantes e escolha de técnicas adequadas para coleta de dados lingüísticos. Partiu de que não existe bibliografia pertinente em língua portuguesa. Procura-se preencher esta lacuna que existe na maioria dos trabalhos de pesquisa de campo, enfatizando sobremaneira a necessidade da adequação das técnicas aos objetivos previstos. Tenta-se ainda conduzir todos esses aspectos teóricos à análise crítica e prática de algumas dissertações que, embora limitadas, elucidam toda essa problemática da metodologia.

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