Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

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31 de março de 1999

Izabel Pinheiro de Oliveira e Silva

O que Propõem os Livros Didáticos de Língua Portuguesa: exercitar a escrita ou interagir escrevendo

Orientação: Maria Irandé Costa Morais Antunes
Área de Concentração: Linguística

Resumo: A questão que motivou este trabalho – O que propõem os livros didáticos de Língua Portuguesa: exercitar a escrita ou interagir escrevendo? – nasceu da inquietação de conviver com adolescentes que não se interessavam pela escrita de textos na escola. Levando-se em conta que o ensino escolar da língua materna organiza-se, em geral, em torno do livro didático, a investigação empreendida concentrou-se nas propostas de produção de texto sugeridas pelos autores de livros didáticos de Língua Portuguesa de 5ª à 8ª série do Ensino Fundamental, etapa da vida escolar, na qual, normalmente, se observa mais esse desinteresse pela escrita de textos. Parte-se da hipótese de que as propostas dos livros didáticos não promovem atos de interação verbal; caracterizam-se, na sua maioria, como tarefas escolares que pretendem desenvolver habilidades específicas para corresponder às formalidades desse espaço institucional. O quadro teórico, no qual se assenta a análise dos dados levantados, enfoca, em um primeiro momento, a linguagem em três aspectos: como atuação social, como espaço de interação e como fenômeno mediado pela textualidade lingüística. A análise dos dados comprova parcialmente a hipótese levantada: há autores que propõem a escrita apenas como exercício escolar; outros projetam, junto com os alunos e o professor, atos de interlocução.

» E-book disponível para acesso na Sala de Leitura César Leal - Centro de Artes e Comunicação - Campus UFPE

30 de setembro de 1998

Valéria Severina Gomes

Concepções de Língua e Implicações para o Ensino: análise da palavra de professores de português e de alunos de Letras

Orientação: Maria Irandé Costa Morais Antunes
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Neste trabalho, procuramos identificar as concepções de língua expressas na opinião de professores atuantes no ensino de 1º e 2º graus e de estudantes de letras. Nosso objetivo consistiu em verificar para onde se dirige o ensino da Língua Portuguesa, tendo em vista as concepções de língua que predominam nesses dois grupos. Para a realização desta pesquisa, os 80 (oitenta) informantes (40 professores e 40 estudantes de letras) complementaram, por escrito, o seguinte enunciado: “Você compreende que uma língua é...”. o discurso dos informantes revelou diferentes pontos de vista acerca da língua, a saber: língua como código; língua como meio de comunicação; língua como prática de interação social, entre outras. Entre essas percepções sobre a língua, algumas revelam-se ora reduzidas, ora mais amplas, dependendo da perspectiva de análise com a qual estiver correlacionada, como, por exemplo, o enfoque estruturalista ou pragmático. O interesse em investigar como, hoje, os professores concebem a língua e, também, observar as possíveis mudanças dessas concepções no grupo dos estudantes de Letras, futuros professores, derivou do princípio de que o processo ensino-aprendizagem da língua fundamenta-se, também, nas diversas concepções que se nutrem a seu respeito. A nosso ver, os resultados mais positivos desse processo estão vinculados às concepções mais abrangentes de língua. Dessa forma, para que o ensino da língua ocorra de forma mais relevante, direcionado para a transformação social, tornam-se necessárias, na formação dos educadores, reflexões bem fundamentadas acerca do que é uma língua e de seus conseqüências na prática de ensino. E foi com esse propósito que desenvolvemos este trabalho.

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30 de março de 1998

Maria Auxiliadora Lustosa Coelho

Atitudes Lingüísticas do Nordestino do Submédio São Francisco

Orientação: Maria Irandé Costa Morais Antunes
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho constitui uma análise das atitudes lingüísticas de nordestinos do Submédio São Francisco, região atingida pela construção da hidroelétrica de Itaparica. Partimos da hipótese de que o nordestino do Submédio São Francisco que foi para São Paulo, por ocasião do enchimento do lago de Itaparica, e manteve contato com falantes paulistas, ao regressar a sua terra, manifesta atitudes negativas em relação ao seu próprio falar (culturalmente estigmatizado) e positivas em relação ao falar paulista (culturalmente prestigiado). Foram entrevistados, através de questionários e submetidos à audição de amostras dos falares nordestino e paulista, 20 informantes, considerando-se as variáveis: exposição ou não do contato direto com falantes paulistas e nível de instrução. Após o exame dos dados estatísticos e do estudo das entrevistas, que foram analisadas observando-se os postulados da análise do discurso, os resultados indicaram tendência acentuada dos informantes do grupo B (com viagem a São Paulo) a rejeitarem o falar nordestino e a prestigiarem o falar paulista. Os nordestinos do grupo A (sem viagem a São Paulo) manifestaram também, embora de forma menos acentuada, rejeição e admiração pelo falar paulista. Essa atitude foi, no entanto, mais observada entre os informantes analfabetos e os de primeiro e segundo grau. Os de nível superior e os pós-graduados, tanto do grupo A, quanto do grupo B manifestaram atitudes mais positivas em relação ao falar nordestino, demonstrando também, maior consciência lingüística, à medida que respeitam as variedades dialetais do país, muito embora se tenham comportado de maneira diferente em alguns aspectos, quando em presença de estímulos de falas gravadas. Atitude de insegurança lingüística foi, portanto, bastante evidenciada nessa pesquisa e vários fatores parecem explicar sua origem: 1) o preconceito lingüístico do qual são vítimas os nordestinos quando estão no Sul ou Sudeste do país; 2) a influência nos meios de comunicação que apresentam imagens negativas do Nordeste e, conseqüentemente, dos nordestinos; 3) o desconhecimento lingüístico que leva as pessoas a rejeitarem ou a valorizarem uma variedade lingüística, conforme o nível sócio-econômico cultural de seus usuários; 4) a perda da identidade regional provocada pelo êxodo a que foram obrigados os habitantes das cidades atingidas pela construção do lago de Itaparica. Como as mudanças acabam influenciando os hábitos lingüísticos de uma comunidade, torna-se possível entender as atitudes de insegurança manifestadas pelos informantes dessa pesquisa.
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