Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

12 de maio de 1992

Fátima Maria Elias Ramos

O Processamento Icônico-Verbal de Textos Humorísticos por Universitários

Orientação: Francisco Gomes de Matos
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho analisa o processo de leitura numa visão interativa entre o leitor-autor mediado pelo texto, bem como os fatores lingüísticos e extralingüísticos que influem na compreensão de textos icônicos-verbais. Para a realização da pesquisa, escolheram-se dois textos de autoria do cartunista Miguel Paiva sobre a família happy days, publicados anos atrás na revista Isto É. Para a elicitação dos dados, utilizou-se a técnica de protocolos verbais que foi aplicada aos vinte universitários selecionados do curso de Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Em face da análise das produções dos alunos, ficou evidenciado neste trabalho que o processamento de um texto simultaneamente icônico-verbal favorece ao aluno uma melhor compreensão textual. A partir dos resultados obtidos, a autora sugere que a escola elabore propostas pedagógicas alternativas que incluam em suas ações a articulação intersemiótica das diversas formas de linguagem, como um ponto de partida para a produção do saber e a busca constante do conhecimento interdisciplinarmente motivado.

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7 de outubro de 1991

Ivanise Pimentel Gomes

Aspectos Fonológicos do Parakanã e Morfossintáticos dos Awá-Guajá (Tupi)

Orientação: Adair Pimentel Palácio
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho traz como objetivo de estudo os aspectos fonológicos e morfossintáticos desenvolvidos sobre duas línguas indígenas brasileiras ágrafas: parakana e awa-guaja, integrantes da família tupi-guarani, do tronco tupi. A descrição fonológica alicerça-se em repertório fonético da língua parakana coletado sob o ponto de vista articulatório e submetido aos princípios metodológicos da análise fonêmica estruturalista distribucional. Demontra-se a ocorrência de alguns problemas morfofonológicos, os possíveis padrões silábicos da língua e inicia-se a etnografia educacional aplicada através da proposição de um alfabeto. Os aspectos morfossintáticos são descritos sobre dados da Língua Awá-Guajá onde se busca a identificação dos principais morfemas que entram na composição de alguns itens lexicais, assim como se aborda a distribuição e função destas unidades na estrutura gramatical da língua. Formula-se, no final, um quadro comparativo entre fatos lingüísticos Parakanã e seus correspondentes em Awá-Guajá e outra três línguas da família Tupi-Guarani, como forma de ressaltar a tipologia vocálica Parakanã. Complementa-se o quadro através do confronto de estruturas gramaticais do Parakanã e Awá-Guajá, apontando-se os itens e formas diferenciadoras de ambos.

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30 de setembro de 1991

Rosely Maria de Souza Lacerda

Sistema Interrogativo de Seis Línguas Indígenas do Brasil, uma Análise Contrastiva

Orientação: Adair Pimentel Palácio
Área de Concentração: Linguística

Resumo: A comparação do sistema interrogativo das línguas Kaiwá e Manduruku (Tupi), Guató e Yaté (Macro-jê), Makuxi (Karib) e Terena (Aruak) constitui o tema dessa dissertação. Traços de relevância para estudo da forma interrogativa foram analisados em elementos segmentais, curva de entonação, posição dos constituintes em perguntas que esperam resposta “sim-não”, perguntas para confirmação e perguntas para informação. O propósito foi buscar uma semelhança tipológica nas línguas geneticamente aparentadas assim como em línguas de famílias diferentes. Na introdução conceitua-se o vocábulo interrogação, apresenta-se a classificação genética e tipológica das línguas, dá-se uma visão do suporte teórico e dos procedimentos metodológicos. A descrição, análise e comparação dos dados focalizam marcadores e palavras interrogativas. Encontrou-se o marcador interrogativo em Kaiwá, Munduruku, e Yatê; as demais línguas utilizam apenas uma curva entonacional específica para expressar perguntas. Incluíram-se marcadores aspectuais e conversacionais por serem proferidos em curva melódica interrogativa. Estudou-se desde a construção de perguntas diretas, afirmativas, até perguntas retóricas, negativas indiretas. A palavra interrogativa foi objeto de uma análise semântico-estrutural, observando-se funções sintáticas, sentidos equivalentes, traços de concordância com outros constituintes frasais, o uso de afixos, etc. A questão da posição dos constituintes demonstrou que, em geral, é mantida a ordem neutra do enunciado declarativo. Traços gerais da curva entonacional interrogativa confirmam, na maioria das vezes, o contorno ascendente em final de enunciado. Após estabelecer semelhanças e diferenças, (re)agruparam-se as línguas concluindo pela coincidência de alguns traços, que o Yatê, língua Macro-jê, se aproxima das línguas Tupi, Kaiwá e Munduruku, estas duas aparentadas na classificação genética; Guató, língua Macro-jê, não teve afinidades estruturais com o Yatê como poderia ser esperado, por pertencerem ao mesmo tronco; Makuxi, Terena e Guató contrastando com as outras três línguas, têm um ponto comum: não fazem uso de marcador interrogativo.

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23 de setembro de 1991

Flávia Jardim Ferraz Goyanna

O Lirismo Anti-Romântico em Manuel Bandeira

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Dissertação originalmente sem resumo.

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29 de abril de 1991

Maria das Graças Ferreira

O Imaginário dos Povos Indígenas na Literatura Infantil

Orientação: Antônio Viana e Adair Pimentel Palácio
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: “O Imaginário dos Povos Indígenas na Literatura Infantil” é uma tentativa de analisar, comparativamente, algumas obras publicadas nos anos 80 e uma obra da etnologia brasileira editada no final do século XVIII. Este trabalho esta dividido em três partes: a primeira concerne ao “paraíso ancestral” no tocante a dois mitos amazônicos: “A lenda do guaraná” e “O menino e a flauta”, adaptados e ilutstrados em 1986, por FITTIPALDI. A segunda parte trata da perda do paraíso que se verifica em “Taigoara”, de SILVEIRA (1987) e em “Terra sem males”, de GALDINO (1985). A terceira e última parte remete ao “paraíso reinventado” em “O selvagem”, de MAGALHÃES (1876) e em “Momeucáua”, de BITTENCOURT (1984). Neste estudo de feição comparatista, a fundamentação teórica remete à questão da intertextualidade sistematizada por GENETT e KRISTEVA, à relação entre Literatura e História postulada por estudiosos como MALRAUX e para alguns aspectos do imaginário teorizados por DURAND e BURGOS. Seguramente, tais contribuições estão relacionadas à pluralidade do discurso nas citadas obras destinadas ao público infantil e juvenil presente, também na obra de MAGALHÃES.

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9 de abril de 1991

Marina de Paula Pinto Mendes

Macunaíma: intertextualidade e carnavalização

Orientação: Ivaldo Santos Bittencourt
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: O Modernismo brasileiro assumiu, nos fins da década de 20, uma feição primitivista muito nítida, no intuito de tocar os matizes de um imaginário popular nosso, mediante a criação artística, que deram a forma e o tom a esse período fecundo da atividade literária de Mário de Andrade. O caráter de fantasia inerente à composição da “Rapsódia” transpõe os limites do descritivismo urbano ou sertanejo, por meio de um andamento antes legendário do que naturalista e documental. Todas as grandes aventuras literárias empreendidas na Europa desde o início do século transcendiam o código dito “realista”, já decaído, clichê de estilo e estereótipo de personagem.

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27 de março de 1991

Ermelinda Maria Araújo Ferreira

Limite e Excesso: as duas geometrias de avalovara

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: O romance está morrendo nos últimos tempos. Não é difícil encontrar diagnósticos negativos à respeito do futuro deste gênero narrativo que tem sofrido profundas transformações ao longo do século XX. Se o tema ainda não perdeu a sua atualidade é porque ou a agonia do romance revela uma surpreendente energia vital ou o que está morrendo não é exatamente ele, mas a forma burguesa de narrar, o realismo que prescreve o descritivismo, a análise individual e social. Essa morte vem propiciando a revitalização de mitos.

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21 de dezembro de 1990

Severina Maria Oliveira Ferreira

A Interação Mãe-Bebê: os primeiros passos

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho focaliza a interação mãe-bebê entre um e nove meses. Baseia-se na observação e registro em vídeo tape de situações de alimentação, banho e brincadeira das quais participaram uma mãe e o seu bebê. Tem por finalidade mostrar que a interação mãe-bebê se constrói a partir de objetivos buscados pelos dois interactantes. Tendo em vista a satisfação das necessidades e demandas do bebê e o atendimento do desejo materno. É comprovado que se estabelece entre os participantes da díade uma espécie de acordo, por intermédio do quais ambos negociam modos de interação que visam a realizações mútuas. Através das negociações que se desenvolvem no interior da realização diádica, os lugares pertinentes à mãe e ao bebê vão sendo progressivamente determinados. A análise da organização e evolução do processo interativo mãe-bebê foi realizada com base em categorias construídas no estudo da estrutura da interação conversacional entre adultos. Assim, noções como turno, pares adjacentes, tópico, contexto e atos de fala foram utilizados para descrever e analisaras trocas interativas na relação entre a mãe e o bebê. As conclusões desta pesquisa mostram que desde o início, a interação mãe-bebê é um esforço constante para a definição e construção de papéis, que, por um lado, tem extrema relevância nos estudos de aquisição da língua e, por outro, pode orientar as atividades voltadas para a prevenção de patologias como a psicose e o autismo.


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18 de dezembro de 1989

Avanilda Torres da Silva

Virtualidades Psicanalíticas numa Aprendizagem ou o “Livro dos Prazeres” de Clarice Lispector

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: O texto que fala é o mesmo que silencia numa dialética de libertação e de aprisionamento. Consciente e inconsciente afloram a todo momento num jogo de inter-relação. Produto e reflexo do ser humano enquanto artífice e criador, o texto literário resgata em lucro e em perda essa dolorosa e contundente “divisão do sujeito”. E quando nós, leitores, pensamos estar sozinhos e preparados para um contato puro e direto com a mensagem que o artista-criador nos transmite, começamos “inconscientemente” a ler com este numa projeção de desejos e fantasias. Enfocar o texto clariceano sob a ótica psicanalítica, nos pareceu um caminho viável e adequado para ir além da comedida denotação, da aparente realidade textual, em busca de uma outra realidade não menos forte e até bem mais provocadora – a dos valores extratextuais – que engloba afetos e emoções. Sabemos das dificuldades que entravam ou dificultam uma articulação entre Literatura e Psicanálise. Há toda uma gama de receios e de recusas a tipos de estudos que adotam uma perigosa psicanalização da figura autoral, da personagem e mesmo da narrativa em si, esquecidos do discurso como “ato de fala” e das potencialidades que o “aspecto formal estético do texto” deixa em aberto. Como ciências autônomas, Literatura e Psicanálise se permitem aproximar no tocante ao seu objeto de estudo, que é o próprio homem. Detentora do inconsciente, a ciência criada por Freud possibilita uma nova forma de “leitura” de um texto literário. Atividade complexa e interminável pelo interesse que a motiva, pois “longe de terminar com a decifração, começa, com ela, a arrolar e desatar os fios que formam o jogo das transformações...”. O ambiente de sonho que caracteriza o universo ficcional clariceano, induziu-se a tentar explicá-lo através da visão freudiana-lacaniana. A Hermenêutica freudiana inaugura a descentralização do sujeito, a transcendência do significado, o poder do inconsciente reconquistado e explicado principalmente por intermédio do sonho. Ler um texto como um “trabalho onírico” é investir na visualidade, na plasticidade, na latência subjacente ao manifesto, na atemporalidade onde explosão e fragmentação se evidenciam. Na esteira de Freud, Lacan procede a uma releitura lingüística da Psicanálise. A ênfase no significado solto e livre é determinante. Nisso ele se distancia de Saussure e do próprio Freud. A metáfora e a metonímia – operações tipicamente lingüísticas – são adaptadas ao processo primário inconsciente de condensação e deslocamento. Partimos da obra “Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, do seu universo de discurso e dos trabalhos por ela suscitados. Sempre que oportuno, utilizamos outros textos de Clarice Lispector associados ao livro em questão, já que nenhuma obra se explica por si só, da mesma forma que um ramo não existe sem a árvore mãe. Destacamos da Teoria Psicanalítica de Freud, elementos aplicáveis ao nosso estudo. Lacan e alguns dos seus seguidores, serviram de reforço para um aproveitamento lingüístico e retórico da obra freudiana. Tentamos focalizar principalmente a personagem central Lóri, na sua “aprendizagem” do ser e do mundo, sem perder de vista o material lingüístico veiculado pelo romance. A fim de que uma representação psíquica se tornasse possível e produtiva literariamente, a caracterização do discurso onírico nos serviu de bússola. Dividimos o nosso trabalho em três partes intimamente interligadas. Na primeira, enfocamos uma escrita que se volta para a inconsciência em virtude de seu alto grau de intuição e de sensibilidade. Assim se apresenta a escrita clariceana. Na segunda parte, já num nível acentuado de inconsciência, de onirismo, enfatizamos a característica de Clarice Lispector em se expressar melhor pelas “entrelinhas”, pela latência. Latência que duela com o conteúdo manifesto do texto-sonho, comedido e enganoso. À medida que este se afigura como o consciente – conhecido e controlado – o “oculto” se reveste de dimensões amplas e desafiantes. Ainda dentro dessa linguagem de sonho, trabalhamos os processos primordiais da linguagem humana (metáfora e metonímia) com seus correspondentes em Psicanálise, a condensação e o deslocamento. Na terceira parte da nossa dissertação, acompanhamos com Clarice a “figura”-sonhadora Lóri na sua experimentação dos mecanismos de desejo e de prazer. Para esse empreendimento, tivemos de nos debruçar sobre a dialética de dois grandes jogos: o do espelho e o do desejo. Através deles, observamos a protagonista nos seus recuos e nas suas investidas, nos seus medos e nas suas motivações. Se na nossa vida diária, desejo e prazer são vivenciados de forma relativamente descomplicada, o mesmo não acontecia com o ser fictício que atravessava essa aprendizagem numa complexidade quase sem limite. Antes, na nossa fase de pesquisa, os conteúdos psicanalíticos que se adequavam a essas temáticas, tinham sido lidos e destacados com relativa facilidade. Agora, no momento da aplicação percebíamos que aqueles conceitos precisavam ser “sentidos e amadurecidos” a nível profundo. Havia em nós a angústia de incorrer na existencialização da personagem, privando o leitor/receptor de fazer reconstruir através da “figura” clariceana um leque de problemas humanos.

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7 de dezembro de 1989

Marlos de Barros Pessoa

Atitudes Lingüísticas de Professores da Área de Língua Portuguesa em Escolas Públicas na Região Metropolitana do Recife

Orientação: Adair Pimentel Palácio
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho objetiva a identificação de atitudes lingüísticas de professoras de língua portuguesa e metodologia da língua portuguesa em relação à variedade não prestigiosa do português em escolas públicas de magistério na Região Metropolitana do Recife, ademais a pesquisa aponta mecanismos reprodutores de tais atitudes dentro da escola. Ao final, apresentamos uma proposta para a capacitação dessas professoras que visam combater essas atitudes através da conscientização. Tomando uma amostra intencional de professoras e alunos, utilizando o “matched-guise technique”, montamos alguns instrumentos para coleta de dados, buscando captar atitudes discriminatórias em relação à variação social dentro da Língua Portuguesa, identificada entre alunos de escolas públicas, em comparação com a fala de alunos de camadas mais privilegiadas, todos do 1º grau da nossa região. Detectadas as atitudes lingüísticas, francamente preconceituosas em relação aos usos dos alunos de escola pública – além de outras atitudes acientíficas e acríticas sobre a linguagem -, e partindo do papel da escola enquanto reprodutora da ideologia dominante, mostramos como, através da gramática normativa, no capítulo “vícius de linguagem”, e dos conteúdos programáticos das disciplinas Língua Portuguesa e Metodologia da Língua Portuguesa, se mantém essa reprodução, concretizada na negação da variação lingüística. Em face dos resultados, urge que a Secretaria de Educação do Estado desenvolva um trabalho de capacitação com essas professoras para que elas possam superar o seu atual estado de ideologização. Por isso, apresentamos uma proposta para “desvelamento da ideologia para compreensão do funcionamento desta sociedade”; “apreensão do aspecto social da linguagem”; e “estudo da fala, como forma de combate ao preconceito lingüístico”.


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