Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

5 de abril de 2001

Edson Tavares Costa

“Nítido como um Girassol”: as metamorfoses do olhar em Aberto Caeiro

Orientação: Luzilá Gonçalves Ferreira
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Essa dissertação tem como objeto de análise os poemas de Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. Observando diversas nuances do olhar no texto, utilizamos os conceitos de Semiótica de Charles Sanders Peirce, no que diz respeito à percepção fenomenológica da realidade. De forma periférica, mas pertinente, são abordados temas como o universo pessoano, os heterônimos considerados discípulos de Alberto Carreiro, propostas filosóficas defendidas por Fernando Pessoa e o grupo moderno. Além de considerações a respeito do olhar, do ponto de vista da fenomenologia peirceana.

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30 de março de 2001

Renata Pimentel Teixeira

Uma Lavoura de Insuspeitos Frutos (Leitura de Lavoura Arcaica, de Raduan Nasser)

Orientação: Alfredo Adolfo Cordiviola
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Pretendemos estudar a obra Lavoura Arcaica (1975), livro de estréia do paulista Raduan Nassar (em conexão com o restante das suas criações literárias), enquanto objeto filosófico-literário, a partir de uma abordagem interdisciplinar que tenta unir a literatura/teoria literária (quanto a questão dos gêneros), à filosofia e psicanálise. Foram instrumentos importantes em nossas especulações, ainda, as idéias de pensadores como Octavio Paz, Pierre Bourdieu, Emmanuel Levinas, Julia Kristeva, Gilles Deleuze e Felix Guattari.

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29 de março de 2001

Agripino José Freire da Fonseca

A Língua Portuguesa nas Salas de Bate-papo Eletrônico: dos empréstimos a novos usos

Orientação: Nelly Medeiros de Carvalho
Área de Concentração: Linguística

Resumo: A década de 90 foi próspera de antecipar o futuro, principalmente, no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico aliado ao das telecomunicações e da informática. Esses últimos anos do Século XX registraram um fato importante no campo das comunicações: o surgimento da Internet. A rede mundial de computadores, como ficou conhecida, é filha da junção entre recursos das telecomunicações e da informática, de onde vem o termo telemática. A Internet é, o que se pode dizer, “o mundo em suas mãos”. Ela congrega todos os demais meios de comunicação. Com o desenvolvimento da Internet, surgiu uma terminologia própria que passa a ser objeto de estudo neste trabalho. A mesma diz respeito à Internet enquanto espaço virtual para a comunicação global. Por isso, um conjunto de termos gerais que possa visualizar a Rede como um todo, e um conjunto de termos mais restritos às salas de bate-papo, em especial, ao IRC, Internet Relay Chat (retransmissão de bate-papo na Internet) formarão o corpus do nosso trabalho. Este também tem o objetivo de verificar como se comporta a Língua Portuguesa – enquanto canal de expressão em tempo real, isto é, através dos bate-papos analisados – em relação à sua estrutura léxico-gramatical e aos processos morfossintáticos para a formação de palavras, que influências estrangeiras sofrem e se isso pode descaracterizar a sua forma de escrita pelas gramáticas.

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26 de março de 2001

Gláucia Renata Pereira do Nascimento

A Coesão Textual em Livros Didáticos para Ensino Médio

Orientação: Maria da Piedade Moreira de Sá
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Acreditamos que o estudo da coesão textual é pressuposto importante para o desenvolvimento e para o aprimoramento das habilidades de leitura e de escrita. Por esse motivo, o objetivo geral do presente trabalho foi verificar de que forma a coesão textual é contemplada como conteúdo de ensino em seis coleções de livros didáticos de língua portuguesa para o Ensino Médio. Partindo da hipótese de que a maioria dos livros didáticos não se ocuparia especificamente da coesão textual, mas dedicariam um capítulo ao estudo das conjunções, procuramos verificar o tratamento dado a esse grupo de conectores interfrásticos e a importância concedida ao papel que desempenham esses elementos na constituição da trama textual, uma vez que são eles responsáveis pelas interligações entre os diversos segmentos (micro e macroestruturais) do texto. As coleções analisadas foram publicadas na década de 1990 e adotadas por escolas na cidade do Recife. Como referencial teórico, valemo-nos dos trabalhos de Halliday & Hasan (1976), Ducrot (1981), Beaugrande & Dressler (1977), Bronckart (1999), Marcuschi (1983, 2000), Antunes (1996), Koch (1987, 1988, 1991, 1992, 1996, 1997), Koch & Travaglia (1989, 1999) e Neves (2000), cujos postulados subsidiaram a análise das coleções de livros didáticos. A análise revelou que dos seis manuais apenas dois apresentaram alguns conceitos de coesão textual, sendo que apenas um explica o funcionamento de alguns mecanismos de coesão. Quanto ao tratamento dado às conjunções, somente em um manual encontramos um estudo que privilegia seus aspectos semântico-pragmáticos, classificando-os como elementos de coesão textual, ainda assim, sem enfatizar a função desses elementos como interligadores macroestruturais.

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17 de janeiro de 2001

Saulo Cunha de Serpa Brandão

Aprendendo a Ler o Mundo com Thomas R. Pynchon

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Neste trabalho, proponho um modelo de representação para ser utilizado por críticos que defrontem com textos ficcionais em que a ciência participou da ontogênese ficcional. A apresentação crítica passa pela análise comportamental dos personagens em comparação com a atuação de modelos científicos propostos por cientistas ou filósofos da ciência. Tomo como texto padrão e exemplar para esse tipo de abordagem o romance “Vineland”de Thomas Pynchon, mas existe uma comunidade de ficcionistas que poduzem(ziram) textos que aceitam plenamente o mesmo tipo de olhar, dentre eles destaco: John Barth, Gore Vidal, Frost e César Leal. Para chegar a essa proposta tive que trabalhar termos tradicionais da Teoria da Literatura, como: mimesis e realidade. Para chegar a propostas operacionais destes termos que se ajustassem ao meu trabalho eles passaram por uma reelaboração através do conceito de “comunidade interpretativa” cunhado por Stanley Fish. Destaco, ainda, a adoção dos conceitos de símbolo e metáfora propostos por Martin Foss. Essa estratégia me permitiu propor uma interação entre poetas e cientistas que acontece na fonte primária de nossa perspectiva, uma colaboração para o melhor entendimento do que Thoma Khun chamava de “virada epistemológica”.

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15 de dezembro de 2000

Dilma Tavares Luciano

Prosódia e Envolvimento na Compreensão do Telejornal

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Este trabalho tem como proposta uma primeira caracterização do comportamento prosódico na locução do telejornal e verificação da interferência de fenômenos entoativos na compreensão do telespectador. O eixo organizador dessa caracterização ou, em outras palavras, a questão a ser respondida é como a prosódia participa do processo de textualização com a leitura em voz alta (LVA), influindo na compreensão. Na discussão, a prosódia é deslocada de sua atuação restrita à fala, permitindo a definição de estratégias de oralidade, como o meio pelo qual o leitor distingue a complexidade da informação textual. Como produto dessa discussão, verifica-se que: (a) a coesão prosódica é um fenômeno textual observado dentre os mecanismos de distribuição e progressão da informação, que, ao lado do contorno entoacional na LVA, permite a identificação de tipos de leitura – litânica, padrão e eloqüente – na dimensão sonora; (b) a expressividade na LVA é o resultado da ação do locutor sobre o escrito, seja estruturando de modo particular a matéria fônica, seja realçando / acrescentando significados por meio de substância fônica e do jogo de pausas (ele recorre às estratégias de oralidade necessárias à retextualização na LVA, ao mesmo tempo em que revela o grau de envolvimento no trinômio leitor-texto-ouvinte). Finalmente, os resultados dos testes de compreensão mostraram diferença de rendimento relacionada ao nível de letramento dos informantes, bem como apontaram para uma melhora no aproveitamento dos trechos em que a LVA foi mais envolvente sobre segmentos narrativos.

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7 de dezembro de 2000

Cynthia Tavares de Almeida Albuquerque

A Po(Ética) da Virulência nos Contos de Rubem Fonseca

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Um dos aspectos mais importantes e notórios da obra de Rubem Fonseca é a temática da violência. Por essa razão, a temática da violência tornou-se nosso ponto de partida para a obtenção de um entendimento do modelo de universo fonsequiano no presente estudo. Por isso um dos nossos maiores interesses tem sido revelar as causas da deflagração da violência nos muitos textos desse autor. Para isso, necessitamos compreender os vários processos de subjetividade dos seus personagens. Em nossa análise e em nossa exploração da figura do eu-narrador que está sempre presente nas mais violentas narrativas de Fonseca. Nosso suporte teórico deriva das idéias de Gilles Deleuze, Félix Guattari e Michel Foucault.

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6 de dezembro de 2000

Rozineide Novaes Ferraz

Aspectos Discursivo-Interacionais em Aulas de Inglês em Escolas Públicas do Recife: um enfoque etnográfico

Orientação: Abuêndia Padilha Peixoto Pinto
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: O ensino/aprendizagem de língua estrangeira nas escolas públicas tem sido alvo de críticas por vários setores da comunidade. Tendo em vista as condições em que se dá tal processo, este trabalho se propõe a investigar aspectos da interação em aulas de inglês do Ensino Fundamental no setor público. A pesquisa foi realizada em duas escolas do Recife e tem como base uma abordagem de cunho etnográfico, uma vez que utiliza vários tipos de dados, considera o contexto social dos que estão envolvidos, levando em conta também a opinião dos participantes. O foco na interação centra-se principalmente nas fases instrucionais das aulas observadas, de onde foram extraídas as seqüências interacionais para análise. Como se trata com uma pesquisa com dois professores, algumas comparações são estabelecidas a partir do enfoque metodológico dado às aulas. A análise das tarefas e dos diários dos alunos possibilitou uma visão mais abalizada sobre a natureza da linguagem enfatizada em cada aula. Com base nos pressupostos teóricos do ensino/aprendizagem de línguas, da análise do discurso e do sócio-interacionismo, verificou-se que o processo de ensino/aprendizagem de LEs naquele contexto precisa ser repensado; sugere-se, então, uma releitura dos processos discursivo-interacionais e uma re-orientação pedagógica para o ensino de LEs na rede pública.

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30 de novembro de 2000

Janilto Rodrigues de Andrade

Da Beleza à Poética

Orientação: Luzilá Gonçalves Ferreira e Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Na expressão "da beleza à poética", inscreve-se a idéia de partida e de chegada. Partida: estética - perceber com os sentidos -, porque a beleza limita com o sensorial. Aqui, "da beleza" equivale a "da estética". Chegada: teoria - ação de observar -, porque a poética, como corpus teórico sobre a poesia, requer um tomar-parte no ente artístico. Mover-se nessa circularidade - do sentir ao observar e vice-versa - implica navegar rente à margem contrária à das restrições tradicionalmente impostas à subjetividade pela azáfama cientificista. Travessia possível, uma vez que o sujeitovem imiscuindo-se em todas as veredas do pensamento pós-moderno. Assim, postas algumas questões na introdução, passamos a caminhar nos entremeios daleitura esubjetividade. Fundamental pisar esse chão, porque, revelando-se o sujeito, elegemos a liberdade como condição (e princípio!) que permite ao leitor ser introduzido na província da beleza. Somente o sedutor – que nos arranca um como é bem feito! - incita-nos a experenciar a aventura do fascínio à interpretação. Para tanto, põe-se, (n)à poética, as razões que levam o leitor a, seduzido, considerar um texto belo. Dizemos razões, porque, pisando trilha kantiana, não cabe a conceituação sobre o belo; não há, assim, lugar para causas. Observadas as razões, hauridas na hermenêutica de Alfonso Lopez Quintas, de inspiração heideggeriana, tomamos o outro pólo do saber estético - texto e objetividade - configurando-se a pergunta, segundo nos parece, pertinente: como se inscreve, no conhecimento, o objeto artístico? Definida uma resposta, pomos à prova, em “Na prática, as razões são as mesmas”, os pressupostos teóricos - na análise de alguns textos, optamos por objetos de linguagens distintas, tendo em vista as interações que hoje se observam, entre as semioses artísticas e entre as reflexões sobre elas e entre estas e aquelas. A conclusão do nosso trabalho aponta para um mundo que se abre, vivo e dinâmico.

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29 de novembro de 2000

Sandra Helena Dias de Melo

Estilo e Neutralidade no Texto Noticioso Jornalístico

Orientação: Judith Hoffnagel
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este estudo teve como objetivo central mostrar como o estilo, num trabalho conjunto entre forma e sentido, produz notícias e reportagens nada imparciais nos textos noticiosos jornalísticos. Visto que a imagem da neutralidade do texto noticioso, construída a partir da divulgação de manuais de redação e estilo jornalístico, advém da visão de um estilo que prima unicamente pela forma no relato da informação imparcial, procurou-se identificar os elementos discursivo-textuais que evidenciassem a não-neutralidade do estilo no texto noticioso, a partir de uma análise discursiva e cognitiva. A partir de um corpus (catorze reportagens e cinco notícias), contendo matérias de 1997 a 2000, fez-se uma análise da relação entre o discurso de neutralidade do estilo nos manuais e livros técnicos da Imprensa e o efeito real do efeito noticioso. Partindo da posição de que o estilo é produtor de sentido e da necessidade de observá-lo a partir de uma perspectiva holística, procurou-se identificar, nesta investigação, marcas discursivo-textuais que exercem importantes e diferentes funções no estabelecimento de sentidos que comprovassem a não-neutralidade do texto noticioso, seja porque a língua não é uma instância neutra da ação humana, seja porque o estilo é um trabalho conjunto entre forma e sentido, destituído do poder de neutralizar qualquer texto. Na análise do corpus, verificou-se além da opacidade da língua, mesmo quando submetida a regras de padronização, a recorrência de estratégias argumentativas na produção do texto noticioso, evidenciando o estilo como seleção de forma e sentido no processamento de informação da imprensa. Os resultados obtidos comprovam a visão do estilo como uma seleção não neutra e como um ato lingüístico fundamental na produção de efeitos de sentido.

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