Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

30 de abril de 2001

José Lucas da Silva

A Solidariedade da Propaganda de Multinacionais Estrangeiras no Brasil: aspectos icônico-verbais

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho se situa no campo dos estudos da linguagem conhecidos como Análise do Discurso e analisa algumas características das propagandas impressas de multinacionais no Brasil e utiliza a solidariedade como elemento de persuasão. O corpus desta dissertação é constituído por dez anúncios publicitários veiculados nas revistas Veja e Isto É um período de setembro/1998 a março/2000, sendo quatro multinacionais recém-chegadas ao Brasil (Asler e Peugeot) e de empresas estrangeiras que estão ha décadas no país (Johnson, Esso e Schering). Na análise dos aspectos verbais, utilizamos o instrumental de Norman Fairclough que considera a relação entre linguagem e sociedade como interna e dialética e não externa e casual. O lingüista inglês baseia-se numa concepção tridimensional do discurso -constituída simultaneamente pelo texto, pela prática discursiva e pela sociocultural- para propor uma análise do discurso também tridimensional, composta pela Descrição, Interpretação e Explicação. Os aspectos icônicos são analisados a partir do referencial teórico dos lingüistas Gunther Kress e Theo van Leeuwen, que mostram como pessoas, lugares e coisas se articulam em imagens para produzirem significados. Já o estudo do conceito de solidariedade está ancorado principalmente na teoria dos sociólogos Émile Durkheim e Jean Duvignaud.

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27 de abril de 2001

Alexandre Furtado de Albuquerque Correia

Os Feitiços da Ilha: senhas imaginadas para identidades culturais

Orientação: Alfredo Adolfo Cordiviola
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: O Feitiço da Ilha do Pavão, de João Ubaldo Ribeiro, é analisado neste trabalho buscando-se compreender a forma pela qual o autor trabalha diversamente certos aspectos das nossas identidades culturais. Serão consideradas as fronteiras entre a História e a Literatura, bem como o papel de ambas na construção identitária. O estudo também se propõe a refletir sobre a construção imagético-discursiva da nação e analisar as representações das diferentes vozes da obra, privilegiando certas falas como a do índio, a da mulher e a do negro, que no texto ganham dimensões destacadas. O modo de elaboração da comunidade inserida na Ilha do Pavão enseja a discussão sobre conflitos de poder, raça e gênero, bem como o que for imaginado e subvertido no romance.

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18 de abril de 2001

Ângela Vilma Santos Bispo

A Tessitura humana da palavra: Herberto Sales, contista

Orientação: Alfredo Adolfo Cordiviola
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Estudo da contística do escritor/romancista Herberto Sales. Focalizam-se três dos seus quatro livros de contos: Histórias Ordinárias, Uma Telha de Menos e Armado Cavaleiro O Audaz Motoqueiro. Problematiza-se a história desse escritor como contista: a relação pessoal de fascínio e horror pelo conto, haja vista ter iniciado a sua carreira literária com a narrativa curta e tê-la abandonado após a publicação do quarto livro; seu reencontro com tal gênero só depois de publicados os três primeiros romances; as relações temáticas e formais nesse entrecruzamento conto e romance; as incidências temáticas entre campo e cidade; as relações formais mantidas por esse escritor com a tradição e com a inovação; o compromisso com o novo proveniente do compromisso com o homem contemporâneo. Analisam-se dez contos buscando corroborar, e compreender, essas relações de ordem estética e social, e tentando desvelar algumas peculiaridades artesanais em conformidade com tais relações.

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9 de abril de 2001

Patrícia Soares Silva

Considerações sobre o Ponto de Vista no Esaú e Jacó

Orientação: Maria da Piedade Moreira de Sá
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Árduo e longo foi o caminho de Machado de Assis até ser apontado como “mestre” das nossas letras. Quando jovem, desempenha as funções mais diversas – sacristão, tipógrafo, revisor de provas- enquanto, mediante um esforço autodidata, foi construindo a sólida formação que o tornaria profundo conhecedor da língua vernácula e da literatura universal. O domínio da expressão literária permite a Machado escrever obras que contemplam quase todos os gêneros: teatro, poesia, romance e conto, além das crônicas e artigos de crítica. O teatro e a poesia literária de Machado de Assis e vale a pena salientar que estes gêneros não figuram entre as principais realizações do autor. Machado é, sem dúvida um mestre do romance e do conto, entretanto, no teatro e na poesia, ele se revela apenas mediano.

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5 de abril de 2001

Edson Tavares Costa

“Nítido como um Girassol”: as metamorfoses do olhar em Aberto Caeiro

Orientação: Luzilá Gonçalves Ferreira
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Essa dissertação tem como objeto de análise os poemas de Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. Observando diversas nuances do olhar no texto, utilizamos os conceitos de Semiótica de Charles Sanders Peirce, no que diz respeito à percepção fenomenológica da realidade. De forma periférica, mas pertinente, são abordados temas como o universo pessoano, os heterônimos considerados discípulos de Alberto Carreiro, propostas filosóficas defendidas por Fernando Pessoa e o grupo moderno. Além de considerações a respeito do olhar, do ponto de vista da fenomenologia peirceana.

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30 de março de 2001

Renata Pimentel Teixeira

Uma Lavoura de Insuspeitos Frutos (Leitura de Lavoura Arcaica, de Raduan Nasser)

Orientação: Alfredo Adolfo Cordiviola
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Pretendemos estudar a obra Lavoura Arcaica (1975), livro de estréia do paulista Raduan Nassar (em conexão com o restante das suas criações literárias), enquanto objeto filosófico-literário, a partir de uma abordagem interdisciplinar que tenta unir a literatura/teoria literária (quanto a questão dos gêneros), à filosofia e psicanálise. Foram instrumentos importantes em nossas especulações, ainda, as idéias de pensadores como Octavio Paz, Pierre Bourdieu, Emmanuel Levinas, Julia Kristeva, Gilles Deleuze e Felix Guattari.

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29 de março de 2001

Agripino José Freire da Fonseca

A Língua Portuguesa nas Salas de Bate-papo Eletrônico: dos empréstimos a novos usos

Orientação: Nelly Medeiros de Carvalho
Área de Concentração: Linguística

Resumo: A década de 90 foi próspera de antecipar o futuro, principalmente, no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico aliado ao das telecomunicações e da informática. Esses últimos anos do Século XX registraram um fato importante no campo das comunicações: o surgimento da Internet. A rede mundial de computadores, como ficou conhecida, é filha da junção entre recursos das telecomunicações e da informática, de onde vem o termo telemática. A Internet é, o que se pode dizer, “o mundo em suas mãos”. Ela congrega todos os demais meios de comunicação. Com o desenvolvimento da Internet, surgiu uma terminologia própria que passa a ser objeto de estudo neste trabalho. A mesma diz respeito à Internet enquanto espaço virtual para a comunicação global. Por isso, um conjunto de termos gerais que possa visualizar a Rede como um todo, e um conjunto de termos mais restritos às salas de bate-papo, em especial, ao IRC, Internet Relay Chat (retransmissão de bate-papo na Internet) formarão o corpus do nosso trabalho. Este também tem o objetivo de verificar como se comporta a Língua Portuguesa – enquanto canal de expressão em tempo real, isto é, através dos bate-papos analisados – em relação à sua estrutura léxico-gramatical e aos processos morfossintáticos para a formação de palavras, que influências estrangeiras sofrem e se isso pode descaracterizar a sua forma de escrita pelas gramáticas.

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26 de março de 2001

Gláucia Renata Pereira do Nascimento

A Coesão Textual em Livros Didáticos para Ensino Médio

Orientação: Maria da Piedade Moreira de Sá
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Acreditamos que o estudo da coesão textual é pressuposto importante para o desenvolvimento e para o aprimoramento das habilidades de leitura e de escrita. Por esse motivo, o objetivo geral do presente trabalho foi verificar de que forma a coesão textual é contemplada como conteúdo de ensino em seis coleções de livros didáticos de língua portuguesa para o Ensino Médio. Partindo da hipótese de que a maioria dos livros didáticos não se ocuparia especificamente da coesão textual, mas dedicariam um capítulo ao estudo das conjunções, procuramos verificar o tratamento dado a esse grupo de conectores interfrásticos e a importância concedida ao papel que desempenham esses elementos na constituição da trama textual, uma vez que são eles responsáveis pelas interligações entre os diversos segmentos (micro e macroestruturais) do texto. As coleções analisadas foram publicadas na década de 1990 e adotadas por escolas na cidade do Recife. Como referencial teórico, valemo-nos dos trabalhos de Halliday & Hasan (1976), Ducrot (1981), Beaugrande & Dressler (1977), Bronckart (1999), Marcuschi (1983, 2000), Antunes (1996), Koch (1987, 1988, 1991, 1992, 1996, 1997), Koch & Travaglia (1989, 1999) e Neves (2000), cujos postulados subsidiaram a análise das coleções de livros didáticos. A análise revelou que dos seis manuais apenas dois apresentaram alguns conceitos de coesão textual, sendo que apenas um explica o funcionamento de alguns mecanismos de coesão. Quanto ao tratamento dado às conjunções, somente em um manual encontramos um estudo que privilegia seus aspectos semântico-pragmáticos, classificando-os como elementos de coesão textual, ainda assim, sem enfatizar a função desses elementos como interligadores macroestruturais.

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17 de janeiro de 2001

Saulo Cunha de Serpa Brandão

Aprendendo a Ler o Mundo com Thomas R. Pynchon

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Neste trabalho, proponho um modelo de representação para ser utilizado por críticos que defrontem com textos ficcionais em que a ciência participou da ontogênese ficcional. A apresentação crítica passa pela análise comportamental dos personagens em comparação com a atuação de modelos científicos propostos por cientistas ou filósofos da ciência. Tomo como texto padrão e exemplar para esse tipo de abordagem o romance “Vineland”de Thomas Pynchon, mas existe uma comunidade de ficcionistas que poduzem(ziram) textos que aceitam plenamente o mesmo tipo de olhar, dentre eles destaco: John Barth, Gore Vidal, Frost e César Leal. Para chegar a essa proposta tive que trabalhar termos tradicionais da Teoria da Literatura, como: mimesis e realidade. Para chegar a propostas operacionais destes termos que se ajustassem ao meu trabalho eles passaram por uma reelaboração através do conceito de “comunidade interpretativa” cunhado por Stanley Fish. Destaco, ainda, a adoção dos conceitos de símbolo e metáfora propostos por Martin Foss. Essa estratégia me permitiu propor uma interação entre poetas e cientistas que acontece na fonte primária de nossa perspectiva, uma colaboração para o melhor entendimento do que Thoma Khun chamava de “virada epistemológica”.

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15 de dezembro de 2000

Dilma Tavares Luciano

Prosódia e Envolvimento na Compreensão do Telejornal

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Este trabalho tem como proposta uma primeira caracterização do comportamento prosódico na locução do telejornal e verificação da interferência de fenômenos entoativos na compreensão do telespectador. O eixo organizador dessa caracterização ou, em outras palavras, a questão a ser respondida é como a prosódia participa do processo de textualização com a leitura em voz alta (LVA), influindo na compreensão. Na discussão, a prosódia é deslocada de sua atuação restrita à fala, permitindo a definição de estratégias de oralidade, como o meio pelo qual o leitor distingue a complexidade da informação textual. Como produto dessa discussão, verifica-se que: (a) a coesão prosódica é um fenômeno textual observado dentre os mecanismos de distribuição e progressão da informação, que, ao lado do contorno entoacional na LVA, permite a identificação de tipos de leitura – litânica, padrão e eloqüente – na dimensão sonora; (b) a expressividade na LVA é o resultado da ação do locutor sobre o escrito, seja estruturando de modo particular a matéria fônica, seja realçando / acrescentando significados por meio de substância fônica e do jogo de pausas (ele recorre às estratégias de oralidade necessárias à retextualização na LVA, ao mesmo tempo em que revela o grau de envolvimento no trinômio leitor-texto-ouvinte). Finalmente, os resultados dos testes de compreensão mostraram diferença de rendimento relacionada ao nível de letramento dos informantes, bem como apontaram para uma melhora no aproveitamento dos trechos em que a LVA foi mais envolvente sobre segmentos narrativos.

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