Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

22 de maio de 2003

Edna Guedes de Souza

Dissertação: gênero ou tipo textual?

Orientação: Abuêndia Padilha Peixoto Pinto
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O propósito deste trabalho é situar a dissertação como um gênero textual, a fim de desfazer o conflito existente entre seu conceito sob a ótica da tipologia textual tradicional e sua concepção na perspectiva sociointeracionista. Para tanto, fizemos uma breve apreciação da base epistemológica de língua/linguagem, do ponto de vista bakhtiniano, para, em seguida, discorremos sobre a noção de gênero e tipos textuais, fundamentando-nos nos postulados de Bakhtin (1992), Bronckart (1999), Dolz & Schneuwly (1996), Marcuschi (2000), entre outros; explicitamos a concepção de dissertação, numa perspectiva tradicional e procedemos à sua caracterização como gênero textual. Assentados nesse referencial teórico, finalizamos esta pesquisa comprovando nossa proposição com a análise dos questionários aplicados a professores de Língua Portuguesa do Colégio Visão, da Escola Dom Vital e do CEFET-PE (em Recife e em Pesqueira) e das dissertações produzidas por seus alunos. A análise dos questionários constatou a existência de uma confusão conceptual quanto à natureza discursiva da dissertação; já a análise dos textos permitiu-nos, a partir da observação das características dos planos da situação de ação de linguagem, discursivo e das propriedades lingüístico-discursivas – sobretudo, ao ser estabelecido o seu contexto de produção, tornar evidente a proposição de que a dissertação constitui-se num gênero textual. Esperamos que este esclarecimento venha a contribuir para que o processo ensino-aprendizagem da dissertação na escola torne-se mais natural e acessível à prática docente e ao aluno concluinte do Ensino Médio.

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19 de maio de 2003

João Jesus Rosa

Intertexto e Identidade Cultural em Aquele Um, de Benedito Monteiro

Orientação: Sônia Lucia Ramalho de Farias
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho surgiu da necessidade de se estudar regionalismo e identidade cultural no romance Aquele um, do escritor paraense Benedito Monteiro, discutindo seus aspectos intertextuais à luz da teoria da intertextualidade do teórico soviético Mikhail Bakhtin. Escolheu-se Aquele Um por ser o livro que encerra a tetralogia do autor, onde está reunida somente a fala individualizada de seu personagem-elo Miguel dos Santos Prazeres extraída das obras anteriores, Verde vagomundo (1972), O minossauro (1975) e A terceira margem (1983). Trata-se de um monólogo reflexivo, onde o protagonista apresenta uma retrospectiva de sua vida, desde Verde vagomundo até A terceira margem. Seu interlocutor, nesta retrospectiva, é o próprio Benedito Monteiro. Publicado em 1985, Aquele Um está dividido em três momentos que correspondem aos três romances que o precederam: narrado a um major, narrado a um geólogo, narrado a um geógrafo. Todos aparecem no romance como interlocutores implícitos de um relato que se dá em primeira pessoa e a posteriori dos fatos. Aqui o herói da narrativa encerra sua epopéia iniciada em Verde vagomundo, passando pelos demais romances que lhe servem de caminhos e cenários para suas aventuras durante suas viagens pela Amazônia.

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29 de abril de 2003

Maria Cristina de Assis Pinto Fonseca

Caracterização Lingüística de Cartas Oficiais da Paraíba dos Séculos XVIII e XIX

Orientação: Marlos de Barros Pessoa
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Este trabalho tem como objetivo estudar cartas oficiais enviadas a diferentes autoridades da administração pública paraibana, no período entre 1774 e 1874. O corpus, com 203 cartas, foi selecionado a partir de documentos manuscritos preservados no Arquivo Histórico da Paraíba, transcritos sem alteração na grafia, acentuação, fronteira entre as palavras e mantendo-se as variantes fonológicas, morfológicas e sintáticas. A fundamentação teórica tem um caráter interdisciplinar, utilizando elementos da História Social da Linguagem, da Lingüística Histórica e da Lingüistica de Texto, além de conceitos de Paleografia, indispensáveis para a abordagem de textos de épocas passadas. Partindo-se do princípio de que condições sócio-históricas de produção se refletem em marcas textuais próprias, buscou-se verificar os fenômenos lingüísticos de uma perspectiva histórico-textual, com base nos níveis de análise lingüística apresentados por Oesterreicher (1994; 1996), a partir de conceitos elaborados por Coseriu (1979; 1979a; 1980,1982, 1995). A análise das cartas revelou uma grande variação no domínio da modalidade escrita, que decorre da situação sócio-histórica de produção dos textos. Espera-se que este trabalho possa contribuir para a investigação da história da língua portuguesa, com a organização e análise de textos que documentam o uso burocrático da língua na época colonial e imperial, período relevante para a história do português brasileiro.

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28 de abril de 2003

Karina Falcone de Azevedo

O Acesso dos Excluídos ao Espaço Discursivo do Jornal

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi e Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O objetivo central deste estudo é analisar o acesso dos excluídos aos espaços discursivos dos jornais. Isso significa, primeiramente, questionar as relações ideológicas que envolvem o domínio das elites e a predominância de suas representações discursivas nos meios de comunicação de massa. Para essa análise, seguimos as teorias desenvolvidas por T. A. van Dijk e N. Fairclough, principais referências aqui adotadas. Neste trabalho, a investigação do acesso se restringiu ao domínio jornalístico, tendo como objeto de estudo textos publicados sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no período de 11 de novembro de 1999 a 29 de fevereiro de 2000, no Jornal do Commercio (JC). A delimitação em apenas um veículo de comunicação foi uma necessidade metodológica, no sentido de eliminar variáveis intervenientes que poderiam surgir devido às diferentes orientações ideológicas dos jornais, o que não deveria ser foco do nosso estudo. Outro aspecto aqui observado foi a qualidade da participação dos excluídos na construção do discurso jornalístico. A partir de duas categorias básicas de análise (acesso institucional e acesso episódico), investigamos como os integrantes do MTST participaram da construção do discurso jornalístico. A análise nos levou à confirmação da hipótese inicial: o acesso dos excluídos se dá, preferencialmente, em situações de conflitos. Os efeitos sócio-cognitivos desse fenômeno é uma das principais causas do preconceito e dos estereótipos construídos na sociedade contra os grupos em situação de exclusão.

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22 de abril de 2003

José Guimarães Caminha Neto

A Escrava Isaura: uma visão multidimensional

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho busca revelar os muitos segredos que se escondem por trás das representações de uma escrava mestiça, nascida sob o signo do Romantismo, chamada Isaura. A personagem criada por Bernardo Guimarães, na segunda metade do século XIX, revela-se cheia de contradições que, nesta pesquisa, se explicam nas teorias pós-modernas. Assim como o Folhetim, gênero híbrido criado da união do Jornalismo Impresso com a Literatura, Isaura sofre o preconceito de não ser aceita pela sociedade por causa de sua origem. Esta dissertação acompanha os passos trilhados pela escrava desde o romance popular (1875) até o folhetim eletrônico (1976) para mostrar as muitas faces da nossa cultura e suas transformações. Na Literatura, as influências dos mitos fundamentais; de obras grego-romanas; do romance inglês do século XVIII, e norte-americano do século seguinte. Nas adaptações do romance para a mídia, teremos a comprovação de que Isaura mantém-se sujeita às regras mercadológicas da Indústria Cultural. Para manter-se viva, ela se transforma: idealizada e perfeita no Romantismo; relegada e maldita no Modernismo; resgatada e aceita pelo público com a ajuda da Televisão no final do século XX. Nos desdobramentos do mito de Isaura, constata-se a construção da auto-imagem do brasileiro: ideologicamente branco. Um mestiço que não se reconhece como tal.

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Elcy Luiz da Cruz

Terras Sem Mal: A História e a Ficção como Promessas de Futuro

Orientação: Alfredo Adolfo Cordiviola
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Nosso trabalho busca enfocar a diversidade de duas escrituras de fronteiras altamente vulneráveis: a história e a ficção. Na construção dessas escrituras percebemos que a memória e o esquecimento são bases limítrofes, fundando tantas vezes a plurissignificação de ambas. Na tentativa de percorrer as fronteiras dessas escrituras fazemos uma divisão didática com um intuito laboratorial de separar dois corpos para análise colocando a teoria (a história) como componente do esquecimento e a ficção (representada por romances lançados a partir da década de 1990) como pertencendo à memória. Argumentamos com essa divisão que o discurso histórico pode se apresentar inverídico por atender interesses de determinados grupos, enquanto que o discurso de ficção estaria livre deste propósito pela natureza “gratuita” da obra de arte. Sabemos que essa gratuidade é relativa, o que só comprova que não é tão simples estabelecer divisões entre esses discursos. No aprofundamento do estudo fazemos uma crítica às teorias que versam sobre o fim da história bem como sobre a morte do romance com um debate que envolve historiadores e romancistas e para tal fazemos uso tanto das teorias sobre a história (abrindo debate também com teóricos da pós-modernidade) assim como da ficção (com romances que usam e abusam da intertextualidade, que utilizam documentos históricos ou textos das manchetes do cotidiano). Afirmamos que o discurso histórico e o discurso ficcional são discursos dinâmicos e por isso mesmo problematizadores da realidade. A partir desse entendimento tentamos convencer que ambos os discursos são reveladores do real da realidade. Ou seja, a realidade se apresenta eivada de significados, o que acaba fazendo desses discursos produtores de uma memória viva. A memória viva é tradução da polifonia inerente a ambos discursos, ou seja, ela é construída do diálogo constante entre seus intertextos e o leitor. Evidentemente fazemos críticas ao discurso histórico que sob regimes autoritários submete a realidade a uma triagem. Tomando tais regimes como exemplo do apagamento da memória, colocamos o discurso histórico e o discurso literário como produtores de promessas futuras. Ou seja, a reconstrução do passado é necessária para a compreensão do presente e a consolidação de um país e de uma literatura possível.

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26 de março de 2003

Williany Miranda da Silva

O Gênero Textual no Espaço Didático

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Este trabalho desenvolve alguns aspectos da teoria dos gêneros, em especial, o modelo sócio-interacionista de Bronckart (1999, 2000) e o modelo sócio-comunicativo de Dolz e Schneuwly (1998) com o intuito de investigar como os gêneros textuais são abordados nas propostas de produção escrita dos livros didáticos de português do ensino fundamental (5ª a 8ª séries). A análise constatou que as propostas priorizam de maneira exagerada a abordagem de gêneros do domínio ficcional e jornalístico, enfatizando muito mais o aspecto estrutural da seqüência tipológica (narração e exposição) e dos mecanismos lingüístico-textuais (coesão e coerência) do que o da funcionalidade do gênero. Acreditando que o professor pode suprir os problemas criados por essa lacuna, apresentamos como sugestão de trabalho uma seqüência de atividades para o gênero entrevista, dentro da perspectiva sócio-interacionista. A seqüência destaca atividades prévias (orais e escritas) como fundamentais para motivar e monitorar o processo de produção de quem está escrevendo com a intenção de comunicar de forma autêntica e não apenas de cumprir uma tarefa escolar. De um modo geral, para o desenvolvimento da análise dos livros didáticos e para a sugestão da seqüência didática, a idéia central é a de que os gêneros se distribuem num contínuo de atividades sociais e discursivas no dia-a-dia do cidadão.

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17 de março de 2003

Fábio Cavalcante de Andrade

Ordem Sinuosa: o Barroco em Avalovara

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Esta dissertação pretende responder ao desconhecimento que a obra de Osman Lins suscita. Um vazio carregado de significação. Avalovara, de 1973, é nosso objeto. Rastreamos os seus caracteres barrocos, demonstrando sua modernidade e sintonia com o presente a partir da idéia de barroco contemporâneo.

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Cristina Lucia de Almeida

Paginário: a imaginação crítica em Osman Lins e Ítalo Calvino

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Paginário nomeia um diverso olhar diante da página literária, a página imagem, lida não mais enquanto suporte do texto, e sim escritura. A imaginação crítica: projeto estético de Osman Lins e Ítalo Calvino fundamentado em valores da modernidade literária que unem, pela linguagem poética, o discurso romanesco ao discurso crítico. Nos romances e ensaios, os autores criam estratégias de ficcionalização e expõem com rigor e paixão uma defesa da especificidade da Literatura. O trabalho está teoricamente argumentado com bases na releitura do conceito de imaginação restituindo o caráter crítico e seletivo do imaginário. Os romances A Rainha dos Cárceres da Grécia e Se um Viajante numa Noite de Inverno são glosas de si mesmos: apresentam com ironia o fracasso das Teorias de interpretação frente a amplidão do literário. Livro, autor e leitor, personagens romanescos, são agora responsáveis pela construção das novas realidades textuais. O fanal: despertar o leitor da dormência mental provocada por alguns textos de fácil penetração e deslizamento, superfícies não porosas que são, sem obstáculos e labirintos.

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12 de março de 2003

Maria das Graças Ferreira

Contrapontos da Literatura Indígena Contemporânea no Brasil

Orientação: Roland Walter
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Este trabalho em torno da literatura indígena contemporânea no Brasil pretende ser uma contribuição às investigações no campo da literatura comparada e dos estudos culturais. Seu objetivo é abordar a relação entre identidade, hibridismo, história, interface e outros aspectos-chaves a uma leitura das diferenças. Com base nas teorias que emanam da América, a revisão literária discute a noção de diferenças a partir do próprio pensamento indígena [sublinhando a chamada ecocrítica], visando uma melhor apreensão do texto literário. Nessa perspectiva, o trabalho discute o problema da educação escolar indígena e apresenta um panorama da história dos movimentos político e literário dos povos indígenas no Brasil. O trabalho analisa as obras individuais de autoria indígena que foram publicadas no período 2000 e 2002. O objetivo é discutir a situação do escritor e a questão dos “500 anos” de colonização; abordar o amor à terra e outros temas transversais que emanam do texto literário contemporâneo de autoria indígena. O estudo delimita-se às histórias contadas e escritas por Daniel Munduruku (povo Munduruku), em “Meu vô Apolinário” (2001); Olívio Jekupé (povo Guarani), em “O Saci verdadeiro” (2000); Yaguarê Yamã (povo Saterê Mawé), em “O remo sagrado” (2002) e Renê Kithãulu (povo Nambikwara), em “Irakisu: o menino criador”, publicado em 2002. Quanto à poesia, a análise refere-se aos manifestos literários de Eliane Potiguara (povo Potiguar), especificamente, os poemas do livro “Metade cara, metade máscara”. Parte desse livro trafega na Internet, na página “Literatura Indígena: um pensamento brasileiro”, junto ao GRUMIN: Rede de Comunicação Indígena sobre Gênero e Direitos, de Eliane Potiguara.

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