Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

3 de janeiro de 1997

Williany Miranda da Silva

Os Exercícios da Compreensão em Livros Didáticos do Ensino Médio

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Neste trabalho, apresentamos um estudo exploratório sobre os exercícios de compreensão em livros didáticos do ensino médio. Tem-se por objetivo investigar como as perguntas existentes nas atividades de entendimento de texto levam o aluno a operar com ele. A pergunta básica que motivou o desenvolvimento do trabalho foi: será que os manuais escolares, em sua grande maioria, realizam propostas de compreensão ou, na verdade, não seriam estes exercícios verdadeiras cópias de texto? Para tanto, os pressupostos teóricos que norteiam o estudo variam desde a noção de língua adotada pelos autores, passando pelo modelo de comunicação sugerido, à noção de texto e à noção de compreensão supostamente adotadas nos manuais. As hipóteses sugeridas foram: a) realizar uma análise da natureza dessas perguntas, categorizando-as por uma base tipológica; b) apresentar sugestões para um trabalho diferente com essas questões-alvo. O corpus foi constituído de um levantamento das atividades de entendimento do texto de diversos livros adotados por algumas escolas públicas e privadas de Campina Grande – PB. Esses livros são de áreas destinadas: matemática, língua portuguesa, história e geografia e de séries diferentes (3ª, 5ª, 7ª e 2º ano). A análise procedeu-se primeiro a partir da descrição estrutural de cada unidade dos livros, tanto dos textos quanto das atividades, tomando por base o tipo de questão elaborada. Concluímos que, de fato, os exercícios analisados resgatam, basicamente, elementos que justificam a capacidade do leitor em decodificar e não compreender o texto. Verificamos, ainda, que os livros didáticos deixam de lado propostas que incentivam a reflexão dos conteúdos abordados através de atividades variadas que se baseiam em operações além da dedução pura e simples.

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30 de dezembro de 1996

Netília Silva dos Anjos Seixas

A Representação Discursiva da Questão Agrária na Grande Imprensa

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O objetivo maior deste estudo é investigar, por meio da polifonia, como a questão agrária brasileira é apresentada pela grande imprensa, diante da importância desse assunto para o futuro do país. Assim, procuramos evidenciar como são (re)produzidas no discurso jornalístico as "vozes" de trabalhadores e proprietários rurais, buscando não só o conceito de polifonia, segundo Bakhtin e Koch, e de heterogeneidade, segundo Authier-Revuz, mas também os estudos sobre o discurso relatado, de Mainguenau, e sobre as formas de introdução de opiniões no relato jornalístico, de Marcuschi. Analisando principalmente, os tipos de citação (dircurso direto e indireto) e seus mecanismos (tais como os verbos introdutores de opiniões, o futuro do pretérito e as aspas), comprovamos as nossas hipóteses de que as formas de citação não só permitem o distanciamento e a interpretação das declarações dos entrevistados pelos que fazem jornalismo, como também que a imprensa costuma ser desfavorável à ação dos trabalhadores e do movimento dos trabalhadores rurais sem terra, inclusive no modo como os denomina. Compõem o corpus textos publicados pelos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e o Jornal do Brasil e pelas revistas Veja e Isto É, em quatro momentos entre 1994 e 1996. Embora restrito a quatro jornais e duas revistas, acreditamos que o estudo mostra a abordagem dada à questão agrária pelos noticiários dos meios de comunicação em geral, o que uma pesquisa mais abrangente – envolvendo também as emissoras de rádio e de televisão – poderia confirmar.

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25 de novembro de 1996

Djair Teófilo do Rego

A Arte como Expressão do Pessimismo: aplicação à poesia de Augusto dos Anjos

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: O objetivo deste trabalho é mostrar a vontade schopenhauereana como leitmotiv de uma poesia destinada a explicar o destino agônico do homem, bem como de seu resgate ontológico através da contemplação artística onde a ciência e suas diversas manifestações representam o elemento explicitador de uma insatisfação como a realidade social e/ou existencial enquanto objeto do desconforto com o estar no mundo, o que leva ao decadentismo, ao culto ao horrível, ao podre, por meio da expressão de imagens distorcidas da vida interior incorporadas ao cotidiano. Trata-se da poesia de Augusto dos Anjos. Neste contexto, a arte ultrapassa os limites do sofrimento humano para ir ao encontro do Nirvana, um paraíso de paz e plenitude onde o ser humano atingiria a bem-aventurança. Essa pletora temática tem na poesia o ponto de confluência do real com o subjetivo, do racional com o espiritual, do passado com o presente para a criação de novo universo no qual todos os seres viveriam harmonicamente.

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18 de outubro de 1996

Moisés João de Araújo Neto

A Relação de Influência da Produção na Compreensão de Artigos Jornalísticos

Orientação: Marígia Ana de Moura Viana
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O presente trabalho se propõe a analisar a relação de influência da produção na compreensão de artigos jornalísticos submetidos, em circunstâncias específicas, à interpretação de alunos da língua portuguesa 1 e língua portuguesa 2, do curso de secretariado na UFPE. A análise parte da perspectiva de que a leitura de qualquer texto constitui apenas um momento de ato verbal mais amplo e, desta forma, ficam subtendidos, por sua realização, aspectos interacionais pelos quais os usuários da língua constroem cooperativamente a significação. Nesse sentido, subjacente à análise dos processos de produção e compreensão, a língua será considerada numa abordagem interacionista, resultando que se observe que toda tentativa de produção e compreensão de texto deverá ser relacionada e analisada em função de fatores que co-ocorrem no texto e fora de seus limites formais, num jogo de intenções e relações entre sujeitos, discursos (tipo de texto) e contexto (situação de uso). A pesquisa, especificamente, tentará demonstrar as noções e o uso de uma representação textual e um modelo situacional (VAN DIJK, 1992), bem como algumas implicações que tais elementos proporcionam no processo de realização e compreensão de artigos jornalísticos tais como o papel das experiências pessoais de leitura (a história de leitura do usuário) e os aspectos das propriedades comunicativas e sociais (representados em uma cognição social) envolvidos no processo, tudo isso como pleiteado em Van Dijk (op. cit). Partindo de recorte na ampla abordagem que se supõe possível no estudo da compreensão (compreensão enquanto construção e compreensão enquanto integração), pretende-se comprovar a influência entre as etapas, no que deve ser um contínuo produção-compreensão, delineando-se os mecanismos e as estratégias resultantes da tentativa de formulação da significação do texto lido. Considerando a formulação de um modelo situacional sobre um texto como uma tentativa de compreendê-lo, levantou-se a hipótese de que a compreensão enquanto finalidade, embora se dê com muitos subsídios de elementos exteriores ao texto, exige que o leitor previamente construa uma interpretação da estrutura do texto lido, tendo em vista que a unidade de sentido, pleiteada numa interpretação, será conseguida, ou não, pela capacidade ou habilidade do indivíduo leitor de construir tal modelo cuja constituição também é prevista, via cognição social, na produção dos artigos.

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7 de setembro de 1996

Aguinaldo de Souza Barbosa

O Ensino de Produção Escrita na Escola Pública de 2º Grau em Pernambuco: desafios e proposta de solução

Orientação: Francisco Gomes de Matos
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Esta Dissertação, no primeiro capítulo, apresenta uma discussão sobre os problemas enfrentados pela escola pública brasileira, no tocante ao ensino de produção escrita. Além disso, analisa, nos capítulos seguintes, os diversos modelos de descrição lingüística, considerando até que ponto tais trabalhos descritivos contribuíram com o ensino da variedade-padrão do português do Brasil. Foi dedicado um capítulo à análise da Gramática Descritiva do Português (Perini, 1995), em que o autor lança mão de matrizes dos traços distintivos de elementos lingüísticos, em nível sintático e morfológico, a fim de conceituar funções e classe. A referida análise é feita, inclusive, através de uma comparação entre o modelo periniano e Gramática Normativa Tradicional. Concluindo, há uma proposta de solução, centrada na competência comunicativa, tendo em conta os trabalhos de M. Charolles e D. Coste (1998), ao que se juntou alguns empíricos (textos escritos produzidos por alunos), coletados em aulas de produção escrita da Escola.

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30 de agosto de 1996

Mônica Fontana

O Percurso do Sentido nas Histórias em Quadrinhos

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Sob o título O Percurso do Sentido nas Histórias em Quadrinhos, esta dissertação de mestrado pretende assinalar a faceta multidisciplinar que caracteriza a linguagem dos quadrinhos e a necessidade de se entender a história em quadrinhos enquanto meio de comunicação e, ao mesmo tempo, enquanto forma de expressões artística. Enquanto meio de comunicação, procuramos mostrar que os quadrinhos possuem um código independente e específico que abrange tanto elementos iconográficos como elementos lingüísticos. Estes elementos são agenciados em função de um princípio centralizador que se articula segundo duas direções precisas: a informação e a estética. Enquanto forma de expressão artística, os quadrinhos mantém um diálogo dinâmico e estimulante com outras artes como a literatura, tem em comum não apenas o texto em si mas a estrutura narrativa que muitas vezes se assemelha ao conto ou à crônica. Com o cinema, a narração através de seqüências de imagens. Com o Teatro, a ação dialogada e o recurso dramático da expressão corporal. Das artes plásticas ou gráficas - pintura, ilustração, fotografia - os quadrinhos se aproximam através do caráter icônico de sua linguagem, estruturado em símbolos analógicos, motivados pela percepção sensorial de linhas, formas e volumes que serão interpretados mediante uma aprendizagem. A nosso ver, o que caracteriza os quadrinhos é sua natureza de arte seqüencial que busca integrar vários tipos de linguagem numa mensagem estética organizada com recursos e conjuntos de palavras e imagens. Desta interação resulta uma linguagem própria, original e cheia de possibilidades.

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23 de agosto de 1996

Maria José de Matos Luna

A Elipse como Fator Coesivo Textual: uma análise em redações na COVEST/93

Orientação: Gilda Maria Lins de Araújo
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Este trabalho tem por objetivo verificar o emprego da elipse como fator de coesão textual, em redações da comissão do vestibular do Estado de Pernambuco (COVEST-PE/93), a partir de uma análise contrastiva entre gramáticos e lingüistas. Partindo-se da hipótese de que o uso inadequado da elipse poderia resultar em um texto falho em clareza, passamos à marcação e à análise das ocorrências evidenciadas em cinco redações de cada um dos dezesseis grupos nos quais estão distribuídos os cursos oferecidos pela UFPE e UFRPE. Antes, porém, contemplamos um histórico sobre a prática redacional no Brasil, enfocando, particularmente, a experiência da COVEST. Levantamos contribuições ao ensino da pesquisa universitária e relacionamos, ainda, o vestibular ao ensino de 1º e 2º graus, uma vez que o desempenho inadequado do vestibulando teria suas causas primeiras nestes níveis de ensino. Neste sentido, foi feita uma revisão crítica da proposta curricular da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco que culminou na oferta de subsídios complementares à prática pedagógica. Como resultado da análise, podemos afirmar que os fenômenos gramaticais não são suficientes para explicar os casos em que a elipse é usada de forma inadequada. Concluímos que a elipse não possui apenas função estilística, como postulam os gramáticos. Nela ocorre a pressuposição do termo omitido, recuperável a nível de palavras e de estruturas. Ela opera como fator de coesão textual, conforme postulam os teóricos funcionalistas.

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21 de junho de 1996

Marise Adriana Mamede Galvão

A Organização Tópica em Sala de Aula de Língua Inglesa

Orientação: Kazue Saito Monteiro de Barros
Área de Concentração: Linguística

Resumo: Essa dissertação se refere à organização tópica em interações com características diferenciadas em sala de aula de língua inglesa. A perspectiva de análise adotada reúne contribuições da microetnografia e da análise da conversação. Sendo um estudo de caráter essencialmente qualitativo, de perspectiva indutiva, buscam-se padrões recorrentes na análise do corpus. O trabalho está organizado a partir de uma descrição do evento aula, do ponto de vista da microetnografia. Nessa descrição classificam-se as interações em sala de aula de língua inglesa, conforme o foco de atenção, os objetivos acadêmicos e a abordagem de ensino. Para se proceder a análise do corpus desse trabalho discute-se sobre a noção de tópico e adota-se a perspectiva de tópico discursivo como ação tópica. Verificam-se as ocorrências de ações tópicas nas interações, correlacionam-se as ações e observa-se a co-ocorrência de ações tópicas e estruturas formais no desenvolvimento do tópico em sala de aula. Por último, corrobora-se a questão do controle em sala de aula, resultante da análise da organização tópica nas diferentes interações. Os resultados da análise apontaram a existência de uma correlação entre organização tópica e aulas com características diferenciadas. Como decorrência, torna-se patente o maior ou menor controle do professor em sala de aula.

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21 de dezembro de 1995

Miguel José Alves de Oliveira Júnior

A Narrativa Oral de Experiência Vicária

Orientação: Maria da Piedade Moreira de Sá e Dóris de Arruda Carneiro da Cunha
Área de Concentração: Linguística

Resumo: A presente dissertação dedica-se ao estudo de narrativas orais de experiência vicária, contadas por adultos com formação universitária. O material empírico compreende basicamente 18 narrativas extraídas de inquéritos pertencentes ao arquivo do Projeto NURC/Recife. Trata-se de uma análise funcional, em que se privilegia o estudo dos elementos lingüísticos que conferem interesse e objetivo ao texto narrativo – os chamados elementos avaliativos. Baseado principalmente nos estudo desenvolvidos pelo sociolingüista norte-americano William Labov, este trabalho está dividido em duas partes: a primeira discute alguns conceitos teóricos concernentes à análise lingüística da narrativa; a segunda oferece, a partir da análise do material empírico, algumas reflexões para questões tais como: existem diferenças funcionais entre narrativas de experiência pessoal e narrativas de experiência vicária? Qual o papel de um narrador de histórias em terceira pessoa? Contar uma história de experiência vicária envolve alguma pressão social que a particularize? Narrativas vicárias podem ser textos coerentes e organizados, ao contrário do que se tem sugerido? Que estratégias os narradores podem utilizar para conferir coerência ao texto narrativo dentro da conversação? Qual a função do presente histórico nas narrativas de experiência vicária? Pode ser explorado como estratégia avaliativa? É possível que uma narrativa seja avaliada por alguém que não tenha participado dos acontecimentos? Pode-se falar em narrativa pouco avaliada a partir da natureza do relato? Idade e sexo do narrador podem determinar a quantidade de avaliação do texto narrativo?

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13 de novembro de 1995

José Alcidésio Medeiros de Vasconcelos

A Via Crucis do Corpo: sujeição ao e libertação do c ânone social

Orientação: Ivaldo Santos Bittencourt
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Analiso a coletânea de contos “A Via Crúcis do Corpo”, da ficcionista Clarice Lispector em sua forma e conteúdo, na tentativa de relacionar a obra em foco com a teoria do dialogismo de Mikhail Bakhtin e com a sócio-crítica de Pierre Zima. Em A Via Crúcis do Corpo, identifico o diálogo entre o discurso literário e outros tipos de discursos. A análise é realizada a partir da verificação da influência de linguagens não-literárias na formação da estrutura e interpretação do texto de Lispector. Foi nosso desejo mostrar o texto de Lispector como instrumento de reação à realidade social brasileira em seu caráter opressor. Para tanto tratamos nos capítulos de nossa tarefa sobre temas como o poder transformador da literatura em relação à formação de consciências; a técnica dialógica da intertextualidade; o humor irônico como crítica ao social e as ambivalências de atitudes, de gestos e pensamentos das personagens enquanto veículos de valores sociais. Baseando-se na análise aplicada foi possível demonstrar que a literatura compromete-se com o processo de mudança do social, vez que questiona, problematiza a realidade vivencial.

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