Aquivo Digital da Pós-Graduação em Letras UFPE

29 de agosto de 2003

José Genildo Cordeiro Santos

A Queda do Eu e o Gozo da Linguagem em A Paixão Segundo G.H.

Orientação: Lourival Holanda
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este estudo tem como objetivo, pelo viés da interdisciplinaridade, fazer uma leitura do conceito de sujeito na modernidade a partir do texto clariceano A Paixão Segundo G.H. Para tanto, trazemos o discurso psicanalítico como uma nova forma de pensar o homem e a dimensão da verdade propondo, assim, uma crítica literária em que a idéia do inconsciente subverte a concepção clássica do eu narrativo - não mais efeito de uma visão transcendental - mas efeito de linguagem e desejo. Propomos com essa consideração estabelecer um diálogo entre sujeito da escritura e sujeito do inconsciente formalizando, pois, uma teoria de conjunto que possibilite uma prática de leitura a partir do inconsciente.

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11 de agosto de 2003

Kátia de França Monteiro Vasconcelos

Utopia das Transculturas: Maira e Ashini

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho tem por finalidade a análise comparativa da figura do ameríndio, dentro de um processo de formação de identidade multicultural, nos romances Maíra, do brasileiro Darcy Ribeiro e Ashini, do quebequense Yves Thériault. Trata-se de examinar as possibilidades de reconstrução, via ficção, da imagem de comunidades étnicas postas habitualmente à margem da sociedade. As obras escolhidas tematizam o hibridismo, a memória, a territorialização; caracterizam também o índio como sujeito-cidadão. Nosso alicerce teórico remete principalmente aos conceitos bakhtinianos de discurso, dialogismo, polifonia que nos ajudaram a reler os textos, a reconstruí-los com vista a uma reflexão crítica sobre a realidade histórica dos índios do Brasil e do Canadá, assim como sobre o imaginário projetado sobre ambas as comunidades através de seus representantes ficcionais. Além de Bakhtin, temos solicitado igualmente os recursos de Néstor Canclini e Homi Bhabha para esclarecer os conflitos interétnicos suscitados nos textos pela presença de personagens que, por mais estranhos que possam parecer, são membros autênticos de nossa americanidade.

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16 de junho de 2003

Fabiana Câmara Furtado

Perfis da Belle Époque Brasileira: uma análise das figuras femininas em Lima Barreto

Orientação: Yaracylda Oliveira Farias
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Por apontar na sua obra, os mecanismos utilizados pela ideologia de sua época para limitar a participação feminina na sociedade, Lima Barreto oferece um corpus bastante fértil para a análise da mulher na Belle Époque brasileira. Através das suas personagens femininas é possível verificar os papéis destinados às mulheres que, nesse contexto histórico-social, assumiam uma posição subalterna em quase todos os setores da sociedade. Como material para essa análise foram usados dois romances do autor: Numa e a Ninfa e Clara dos Anjos. No primeiro, foi analisada a mulher burguesa e no segundo, a mulher negra e a suburbana. No estudo das figuras femininas dos romances citados e de outras obras utilizadas, é possível constatar que o autor denuncia as opressões sofridas pelas mulheres da sua contemporaneidade. Para a abordagem teórica do corpus recorremos ao conceito de gênero formulado por Joan Scott que se encontra no ensaio: Gênero: uma categoria útil para a análise histórica; além da contribuição de outras estudiosas sobre o assunto, como Kate Millet que analisa a estrutura do Patriarcado no texto Uma Política Sexual e de Gayle Rubin com o seu artigo Tráfico de mulheres: notas sobre a “economia” política do sexo, assim como, aos (às) historiadores (as) que se debruçaram sobre a época em questão.

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27 de maio de 2003

Ilzia Maria Zirpoli

Vidas Re-Compostas: aventureiras, peregrinas, viajantes nos contos de Nélida Piñon

Orientação: Luzilá Gonçalves Ferreira
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Visamos a apreciar, na presente pesquisa, os contos de Nélida Piñon, “I Love My Husband”, “Torre de Roccarosa”, “A Sereia Ulisses” e “Finisterre”, evidenciando os processos de construção de sentido com relação às representações da mulher em nível do enunciado e da enunciação e relevando, nessas narrativas, o motivo condutor da viagem enquanto signo da maioridade feminina. Partindo da concepção da mulher nos discursos cristão e greco-latino, a escrita da autora opera uma refiguração da tradição, desviando o foco narrativo de uma posição fixada no masculino para ressignificar experiências da alteridade feminina e latino-americana.

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22 de maio de 2003

Edna Guedes de Souza

Dissertação: gênero ou tipo textual?

Orientação: Abuêndia Padilha Peixoto Pinto
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O propósito deste trabalho é situar a dissertação como um gênero textual, a fim de desfazer o conflito existente entre seu conceito sob a ótica da tipologia textual tradicional e sua concepção na perspectiva sociointeracionista. Para tanto, fizemos uma breve apreciação da base epistemológica de língua/linguagem, do ponto de vista bakhtiniano, para, em seguida, discorremos sobre a noção de gênero e tipos textuais, fundamentando-nos nos postulados de Bakhtin (1992), Bronckart (1999), Dolz & Schneuwly (1996), Marcuschi (2000), entre outros; explicitamos a concepção de dissertação, numa perspectiva tradicional e procedemos à sua caracterização como gênero textual. Assentados nesse referencial teórico, finalizamos esta pesquisa comprovando nossa proposição com a análise dos questionários aplicados a professores de Língua Portuguesa do Colégio Visão, da Escola Dom Vital e do CEFET-PE (em Recife e em Pesqueira) e das dissertações produzidas por seus alunos. A análise dos questionários constatou a existência de uma confusão conceptual quanto à natureza discursiva da dissertação; já a análise dos textos permitiu-nos, a partir da observação das características dos planos da situação de ação de linguagem, discursivo e das propriedades lingüístico-discursivas – sobretudo, ao ser estabelecido o seu contexto de produção, tornar evidente a proposição de que a dissertação constitui-se num gênero textual. Esperamos que este esclarecimento venha a contribuir para que o processo ensino-aprendizagem da dissertação na escola torne-se mais natural e acessível à prática docente e ao aluno concluinte do Ensino Médio.

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19 de maio de 2003

João Jesus Rosa

Intertexto e Identidade Cultural em Aquele Um, de Benedito Monteiro

Orientação: Sônia Lucia Ramalho de Farias
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho surgiu da necessidade de se estudar regionalismo e identidade cultural no romance Aquele um, do escritor paraense Benedito Monteiro, discutindo seus aspectos intertextuais à luz da teoria da intertextualidade do teórico soviético Mikhail Bakhtin. Escolheu-se Aquele Um por ser o livro que encerra a tetralogia do autor, onde está reunida somente a fala individualizada de seu personagem-elo Miguel dos Santos Prazeres extraída das obras anteriores, Verde vagomundo (1972), O minossauro (1975) e A terceira margem (1983). Trata-se de um monólogo reflexivo, onde o protagonista apresenta uma retrospectiva de sua vida, desde Verde vagomundo até A terceira margem. Seu interlocutor, nesta retrospectiva, é o próprio Benedito Monteiro. Publicado em 1985, Aquele Um está dividido em três momentos que correspondem aos três romances que o precederam: narrado a um major, narrado a um geólogo, narrado a um geógrafo. Todos aparecem no romance como interlocutores implícitos de um relato que se dá em primeira pessoa e a posteriori dos fatos. Aqui o herói da narrativa encerra sua epopéia iniciada em Verde vagomundo, passando pelos demais romances que lhe servem de caminhos e cenários para suas aventuras durante suas viagens pela Amazônia.

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29 de abril de 2003

Maria Cristina de Assis Pinto Fonseca

Caracterização Lingüística de Cartas Oficiais da Paraíba dos Séculos XVIII e XIX

Orientação: Marlos de Barros Pessoa
Área de Concentração: Linguística (Doutorado)

Resumo: Este trabalho tem como objetivo estudar cartas oficiais enviadas a diferentes autoridades da administração pública paraibana, no período entre 1774 e 1874. O corpus, com 203 cartas, foi selecionado a partir de documentos manuscritos preservados no Arquivo Histórico da Paraíba, transcritos sem alteração na grafia, acentuação, fronteira entre as palavras e mantendo-se as variantes fonológicas, morfológicas e sintáticas. A fundamentação teórica tem um caráter interdisciplinar, utilizando elementos da História Social da Linguagem, da Lingüística Histórica e da Lingüistica de Texto, além de conceitos de Paleografia, indispensáveis para a abordagem de textos de épocas passadas. Partindo-se do princípio de que condições sócio-históricas de produção se refletem em marcas textuais próprias, buscou-se verificar os fenômenos lingüísticos de uma perspectiva histórico-textual, com base nos níveis de análise lingüística apresentados por Oesterreicher (1994; 1996), a partir de conceitos elaborados por Coseriu (1979; 1979a; 1980,1982, 1995). A análise das cartas revelou uma grande variação no domínio da modalidade escrita, que decorre da situação sócio-histórica de produção dos textos. Espera-se que este trabalho possa contribuir para a investigação da história da língua portuguesa, com a organização e análise de textos que documentam o uso burocrático da língua na época colonial e imperial, período relevante para a história do português brasileiro.

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28 de abril de 2003

Karina Falcone de Azevedo

O Acesso dos Excluídos ao Espaço Discursivo do Jornal

Orientação: Luiz Antonio Marcuschi e Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes
Área de Concentração: Linguística

Resumo: O objetivo central deste estudo é analisar o acesso dos excluídos aos espaços discursivos dos jornais. Isso significa, primeiramente, questionar as relações ideológicas que envolvem o domínio das elites e a predominância de suas representações discursivas nos meios de comunicação de massa. Para essa análise, seguimos as teorias desenvolvidas por T. A. van Dijk e N. Fairclough, principais referências aqui adotadas. Neste trabalho, a investigação do acesso se restringiu ao domínio jornalístico, tendo como objeto de estudo textos publicados sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no período de 11 de novembro de 1999 a 29 de fevereiro de 2000, no Jornal do Commercio (JC). A delimitação em apenas um veículo de comunicação foi uma necessidade metodológica, no sentido de eliminar variáveis intervenientes que poderiam surgir devido às diferentes orientações ideológicas dos jornais, o que não deveria ser foco do nosso estudo. Outro aspecto aqui observado foi a qualidade da participação dos excluídos na construção do discurso jornalístico. A partir de duas categorias básicas de análise (acesso institucional e acesso episódico), investigamos como os integrantes do MTST participaram da construção do discurso jornalístico. A análise nos levou à confirmação da hipótese inicial: o acesso dos excluídos se dá, preferencialmente, em situações de conflitos. Os efeitos sócio-cognitivos desse fenômeno é uma das principais causas do preconceito e dos estereótipos construídos na sociedade contra os grupos em situação de exclusão.

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22 de abril de 2003

José Guimarães Caminha Neto

A Escrava Isaura: uma visão multidimensional

Orientação: Sebastien Joachim
Área de Concentração: Teoria da Literatura

Resumo: Este trabalho busca revelar os muitos segredos que se escondem por trás das representações de uma escrava mestiça, nascida sob o signo do Romantismo, chamada Isaura. A personagem criada por Bernardo Guimarães, na segunda metade do século XIX, revela-se cheia de contradições que, nesta pesquisa, se explicam nas teorias pós-modernas. Assim como o Folhetim, gênero híbrido criado da união do Jornalismo Impresso com a Literatura, Isaura sofre o preconceito de não ser aceita pela sociedade por causa de sua origem. Esta dissertação acompanha os passos trilhados pela escrava desde o romance popular (1875) até o folhetim eletrônico (1976) para mostrar as muitas faces da nossa cultura e suas transformações. Na Literatura, as influências dos mitos fundamentais; de obras grego-romanas; do romance inglês do século XVIII, e norte-americano do século seguinte. Nas adaptações do romance para a mídia, teremos a comprovação de que Isaura mantém-se sujeita às regras mercadológicas da Indústria Cultural. Para manter-se viva, ela se transforma: idealizada e perfeita no Romantismo; relegada e maldita no Modernismo; resgatada e aceita pelo público com a ajuda da Televisão no final do século XX. Nos desdobramentos do mito de Isaura, constata-se a construção da auto-imagem do brasileiro: ideologicamente branco. Um mestiço que não se reconhece como tal.

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Elcy Luiz da Cruz

Terras Sem Mal: A História e a Ficção como Promessas de Futuro

Orientação: Alfredo Adolfo Cordiviola
Área de Concentração: Teoria da Literatura (Doutorado)

Resumo: Nosso trabalho busca enfocar a diversidade de duas escrituras de fronteiras altamente vulneráveis: a história e a ficção. Na construção dessas escrituras percebemos que a memória e o esquecimento são bases limítrofes, fundando tantas vezes a plurissignificação de ambas. Na tentativa de percorrer as fronteiras dessas escrituras fazemos uma divisão didática com um intuito laboratorial de separar dois corpos para análise colocando a teoria (a história) como componente do esquecimento e a ficção (representada por romances lançados a partir da década de 1990) como pertencendo à memória. Argumentamos com essa divisão que o discurso histórico pode se apresentar inverídico por atender interesses de determinados grupos, enquanto que o discurso de ficção estaria livre deste propósito pela natureza “gratuita” da obra de arte. Sabemos que essa gratuidade é relativa, o que só comprova que não é tão simples estabelecer divisões entre esses discursos. No aprofundamento do estudo fazemos uma crítica às teorias que versam sobre o fim da história bem como sobre a morte do romance com um debate que envolve historiadores e romancistas e para tal fazemos uso tanto das teorias sobre a história (abrindo debate também com teóricos da pós-modernidade) assim como da ficção (com romances que usam e abusam da intertextualidade, que utilizam documentos históricos ou textos das manchetes do cotidiano). Afirmamos que o discurso histórico e o discurso ficcional são discursos dinâmicos e por isso mesmo problematizadores da realidade. A partir desse entendimento tentamos convencer que ambos os discursos são reveladores do real da realidade. Ou seja, a realidade se apresenta eivada de significados, o que acaba fazendo desses discursos produtores de uma memória viva. A memória viva é tradução da polifonia inerente a ambos discursos, ou seja, ela é construída do diálogo constante entre seus intertextos e o leitor. Evidentemente fazemos críticas ao discurso histórico que sob regimes autoritários submete a realidade a uma triagem. Tomando tais regimes como exemplo do apagamento da memória, colocamos o discurso histórico e o discurso literário como produtores de promessas futuras. Ou seja, a reconstrução do passado é necessária para a compreensão do presente e a consolidação de um país e de uma literatura possível.

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